sexta-feira, 9 de junho de 2017

REMAKE DE SERIADO FAZ SUCESSO

            Fuller House é um dos seriados americanos que ganhou remake – Divulgação
Estamos vivendo a chamada “era de ouro” da televisão. O termo foi cunhado para designar um período da televisão – principalmente a norte-americana, de onde originam as séries de maior sucesso no mundo – cujo conteúdo original e distribuição mundial fazem com que todos possam ter acesso às melhores e mais aclamadas produções. Para alguns críticos, essa é a “terceira onda” (a primeira foi nos anos 1950, e a segunda em meados dos anos 1980), mas então por que é que vemos tantos “revivals” sendo feitos ultimamente?
Os filmes, há muito tempo, costumam ganhar refilmagens com tecnologia mais moderna, novo elenco e orçamento mais generoso.
Mas são histórias que têm um determinado começo, meio e fim. Agora, com a era de ouro da televisão, os produtores de TV parecem querer uma fatia desse bolo também. Tanto que desde séries de sucesso moderado até as de sucesso estrondoso estão ganhando reboots e remakes, nos mais diversos canais de televisão americano. “Gilmore Girls”, “Fuller House”, “Twin Peaks”, “Star Trek”, “Prison Break”, “The X Files” e “MacGyver” são apenas alguns dos títulos que ganharam uma nova oportunidade.
O jornalista Gabriel Machado adora assistir séries e afirma ser incrível poder assistir novamente algumas das suas favoritas. “E não me importo que seja por falta de criatividade dos produtores. Antigamente, muita coisa boa era cancelada somente por conta da audiência, e hoje em dia existem outras maneiras de se medir o sucesso de uma série, o que abre uma nova oportunidade para produções que foram canceladas injustamente, como é o caso de ‘Arrested Development’, ‘Arquivo X’ e, mais recentemente, ‘Twin Peaks’”, diz. Ele, que assiste entre dez e 15 seriados atualmente, afirma que “perde o sono” com o retorno de “Veronica Mars”, cancelada em 2007, cujo retorno foi anunciado recentemente.
Série Gilmore Girl finalizou em 2004 e ganhou remake em 2016 – Divulgação
Na análise de Juliana Ramanzini e Davi Garcia, do blog Dude, We Are Lost! (dudewearelost.com.br), não é tanto a falta de criatividade dos produtores, mas mais uma aposta segura por parte de quem investe nesse ramo.
“Parece que os executivos de TV (principalmente os de emissoras abertas) têm tido uma certa aversão ao risco de dar espaço para algo totalmente novo. Assim, apostar em marcas já populares tem sido uma ideia abraçada por muitos. Sob o ponto de vista de negócio faz sentido, mas nem sempre esses resgates rendem recepção empolgada do público espectador”, diz Juliana.
Já para o empresário Murilo Faleiros, que atualmente assiste mais de 40 séries, a qualidade do seriado deve ser levada em consideração.
“Quando o seriado é bom e pode ser adaptado para a atualidade, não vejo problema nenhum (ganhar um reboot). Exemplo de um que deu certo foi ‘Gilmore Girls’. Apesar de eu não ter assistido no passado e nem esse remake, só ouvi elogios”, conta Faleiros, que gostaria de ver um revival de “Friends” – uma das séries de maior sucesso no mundo, finalizada em 2004, e cujo elenco diz não ter interesse de fazer uma reunião tão cedo.
Apesar de dezenas de títulos ganharem uma nova vida, ser um seriado reconhecido não é garantia de sucesso. “No fim das contas, sucesso e envolvimento dos fãs das séries originais depende muito de um bom roteiro. Sem isso não há marcas consagradas no passado que consigam se estabelecer de novo no presente”, explica Juliana.
Na opinião da blogueira, dos exemplares mais recentes, “Arquivo X”, “24 Horas”, “Prison Break” e “MacGyver” são as séries que obtiveram mais sucessos em seus resgates, por terem sido muito populares antes, certamente fizeram um certo “barulho” no retorno. “Mas a recepção foi esfriando com o passar dos episódios porque a verdade é que o público em geral não quer só mais do mesmo. Tem que ter um algo a mais que justifique um reboot ou revival. Por isso, acho que ainda não vimos nenhuma série ‘resgatada’ que tenha de fato atingido o grande sucesso que seus idealizadores imaginavam”, afirma.

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