quinta-feira, 22 de junho de 2017

30 O GLOBO JUVINIL


Em 12 de junho de 1937, foi às bancas, pela primeira vez, a revista "O GLOBO Juvenil", dedicada a crianças e jovens, com espaços reservados a contos policiais, ilustrados e de aventuras; seções de romances juvenis, ciências, teatro infantil; e, especialmente, histórias em quadrinhos (HQs). Entre os heróis, “Robin Hood”, “Gulliver do século XX” (um "descendente" do clássico de Jonathan Swift, com desenhos de Israel Pinheiro), “Os primeiros homens na Lua” (inspirada no romance de H. G. Wells), e “Pery Borba”, quadrinho nacional com argumento de Pinheiro Lemos e desenhos de Israel, que logo ganhariam as companhias de Fantasma, Zorro e Flash Gordon.
Junção de desenhos sequenciados com textos, formando uma narração, as HQs (comics, em inglês) foram criadas na mesma época do surgimento do cinema, no fim do século XIX, mas inicialmente foram relegadas a segundo plano. “Yellow kid”, de Richard Outcault, publicada no jornal “World”, de Nova York, em 1895, é considerado o marco inicial pela introdução dos balões com o texto nas tirinhas. No Brasil, "O Tico Tico", do jornalista Luís Bartolomeu de Souza e Silva, foi a primeira revista a publicar HQs, em 11 de outubro de 1905, permanecendo semanal até 1957, quando tornou-se almanaque e circulou pela última vez em 1977.
A preocupação em mostrar a arte em desenhos ou tiras de histórias foi uma constante desde os primeiros números do GLOBO. Na histórica capa da primeira edição do jornal, em 29 de julho de 1925, há uma charge do caricaturista, pintor e compositor Raul Pederneiras (1874-1953), intitulada “Encontro de forças”, em que o artista mostra que o desequilíbrio das contas públicas já assustava os brasileiros. Num ringue, um lutador enorme subjuga outro, bem menor: “assim o campeão da despesa derrota o campeão da receita”. E concluía que a desigualdade já fazia “parte do programma”. A primeira tirinha publicada no jornal foi “O Commendador”, historinha cômica e 'muda' assinada por Tim na edição das 17h do dia 4 de agosto de 1937.
Seguindo o modelo americano, que publicava tiras diariamente em seus jornais, o jornalista Adolfo Aizen (1907-1991) criou, em 1934, o “Suplemento Juvenil”, que integrava o jornal “A Nação”, e tinha um "número impressionante de vendas de histórias em quadrinhos", segundo o site Memória O GLOBO. A criação do GLOBO Juvenil ocorreu após o diretor-redator-chefe Roberto Marinho receber uma negativa à proposta de sociedade a Aizen, para publicar novos títulos. Roberto Marinho resolveu, então, tocar a ideia sozinho e lançou "O GLOBO Juvenil", em formato tabloide, que "viria a ser a primeira iniciativa do jornalista no gênero” e também a estreia da marca O GLOBO em uma revista, segundo o site.
O lançamento foi precedido por uma grande campanha de marketing. No dia 18 de maio de 1937, O GLOBO estampava no alto da página 2 a promoção: “Vejam que maravilha! 'O GLOBO Juvenil' offerecerá aos seus futuros leitores quinhentos prêmios, inclusive quatro automoveis a gasolina, tres patinetes com motor, quinze contos em cadernetas da Caixa Economica, trinta bycicletas, piano para menina, aviões com motor a gasolina, trens electricos, mobilias para meninos e meninas, projectores e machinas de filmar Pathé-Baby e Kodak, boneca Shirley Temple, canetas e lapiseiras “Aversharps’, velocipedes e bycicletas com side-car, radios de ondas curtas e longas, patinettes de todos os typos, jogos de construcções, aparelhos de remos, automoveis para montar e desmontar, machinas photographicas, etc., etc. Aguardem os primeiros dias de junho!”
Com direção de Roberto Marinho e Pinheiro Lemos, a revista começou como uma publicação de 16 páginas às terças, quintas e sábados, e circulou até 1952. As primeiras edições tiveram a colaboração de Nelson Rodrigues, então com 25 anos, escrevendo histórias para crianças. A partir do número 1.987, de março de 1950, ganhou outro formato, passando a se chamar “Novo O GLOBO Juvenil”, com maior número de páginas. Pela revista passaram os maiores clássicos das HQs: Fantasma, Zorro, Flash Gordon, Brucutu, Príncipe Valente, entre outros. Por fim, já pela Rio Gráfica Editora – fundada em 1952 e que, a partir de 1986, passou a se chamar Editora Globo – torna-se mensal até outubro de 1963. Os almanaques, lançados a cada Natal, foram publicados entre 1941 e 1964. Com o término da revista, os personagens principais ganharam suas próprias edições independentes.
Após a estreia da revista, o jornal passou a intensificar a publicação de histórias em quadrinhos, atendendo à boa receptividade dos leitores. De 18 de novembro de 1938 a janeiro de 1940, O GLOBO ganhou uma "secção juvenil", "O GLOBINHO", que circulava às sextas-feiras, com duas páginas de quadrinhos, testes e artigos. Em seguida, as tirinhas tiveram edição diária, publicadas ao pé das páginas. A partir de 1946, começaram a sair em duas páginas seguidas, ocupando metade de cada uma, para, em 1952, passarem a duas páginas contínuas, exclusivamente com quadrinhos. Em 2 de julho de 1972, com o início da circulação do GLOBO aos domingos, o título voltou como suplemento: “O GLOBINHO Supercolorido”, que seria publicado até junho de 2013.
Mas foi com o lançamento da revista "Gibi", em 12 de abril de 1939, que a palavra, com o tempo, passou a ser sinônimo de história em quadrinhos. Na época, Gibi era como o menino pequeno e esperto - o moleque - era chamado. A revista circulava às segundas, quartas e sextas-feiras, vendida separadamente, e trazia as aventuras do detetive Charlie Chan, de Ferdinando, Mandrake, entre outros personagens, tendo sua circulação interrompida em maio de 1950. Atualmente, o jornal publica tiras em quadrinhos de autores contemporâneos nas páginas do Segundo Caderno e da "Ela Revista".
* com edição de Matilde Silveira

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