quarta-feira, 8 de março de 2017

100ANOS DE UM GÊNIO CHAMADO WILL EISNER


Acima, reprodução de um dos desenhos de The Spirit. Ao lado, Will Eisner trabalhando.
Acima, reprodução de um dos desenhos de The Spirit. Ao lado, Will Eisner trabalhando.
Direta ou indiretamente, não é pouca a influência que o quadrinista Will Eisner teve e continua tendo ainda hoje, 12 anos após seu falecimento, sobre os profissionais que vieram depois dele. Ao longo de 87 anos de vida e quase 70 de carreira, o norte-americano se estabeleceu como uma das principais figuras da indústria das histórias em quadrinhos –não por acaso ele empresta o sobrenome para o maior prêmio da área, os Eisner Awards. Para marcar a comemoração ao que seriam os 100 anos do quadrinista, o Vida& Arte discute o legado e a influência de Eisner no atual panorama das HQs.

Direta ou indiretamente, não é pouca a influência que o quadrinista Will Eisner teve e continua tendo ainda hoje, 12 anos após seu falecimento, sobre os profissionais que vieram depois. Ao longo de 87 anos de vida e quase 70 de carreira, o norte-americano se estabeleceu como uma das principais figuras da indústria das histórias em quadrinhos — não por acaso, empresta o sobrenome ao maior prêmio da área, os Eisner Awards.

Visão de negócios
Para os leigosem histórias em quadrinhos, uma comparação ajuda a dimensionar a importância de Eisner e de sua obra: o quadrinista é resumido por Sidney Gusman, editor-chefe do site Universo HQ e responsável pelo planejamento editorial da Maurício de Sousa Produções, como “o Pelé dos quadrinhos”.“Pode ter Messi, Maradona, mas igual a Pelé não vai ter outro”, explica.Assim como o craque do futebol, Eisner também começou cedo na carreira, quebrou paradigmas e ajudou a construir outros. 

Antes dos 20 anos, por volta da metade dos anos 1930, o então jovem Eisner já fazia tirinhas para uma publicação comandada por Jerry Iger. No fim da mesma década, Eisner e Iger se juntaram para abrir uma companhia que produzia e vendia material autoral de quadrinhos, o que se revelou um sucesso – ele costumava dizer que tinha “ficado muito rico antes dos 22”. “Eisner tinha uma visão única dos quadrinhos como um negócio”, começa Gabriel Franklin, livreiro e membro do site Iradex. “Por ser empresário e artista, ele equilibrava a relação entre as partes nos contratos, para garantir os direitos autorais e assegurar lucro”.

Histórias de pessoasNuma época em que os grandes sucessos editoriais eram heróis poderosos, o primeiro êxito de Eisner como autor de HQs veio em 1940, com a criação de The Spirit, um detetive que vivia secretamente no submundo do crime. Como explica Daniel Brandão, quadrinista e professor de desenho, essa fase quebrou paradigmas comuns na produção existente até o momento. “Ele inovou na linguagem dos quadrinhos. Em muitas histórias, o Spirit quase não aparecia. A narrativa era diferenciada, as angulações, o preto e branco”, enumera. O destaque para ele, porém, eram os roteiros. “Não eram histórias de heróis de uniforme, eram histórias de seres humanos, com roteiros muito humanos”, afirma.

O personagem seguiu existindo até o início dos anos 1950. Eisner, desta década até o início dos anos 1970, se distanciou da criação artística de HQs por conta da dedicação à empresa American Visuals Corporation, fundada por ele à época. A volta à criação se deu com o interesse dele pelo formato até então pouco difundido das graphicnovels (romances gráficos, em português), que conta histórias longas em formato de quadrinhos e permite novas abordagens. Uma das principais obras da carreira do quadrinista, inclusive, é Um Contrato Com Deus, que fez tanto sucesso que é até equivocadamente  creditada como “a primeira graphic novel” da história.
 
“Quando ele resolveu trabalhar com quadrinhos mais adultos, outras pessoas já tinha aberto esse caminho. O que Eisner fez foi ver a possibilidade de tratar de temas fortes nesse formato e, então, popularizar o termo graphic novel”, explica Daniel. “Se existiam portas abertas por outros autores, o trabalho de Will Eisner as escancarou”, arremata. Entre os temas, estavam sexo, violência doméstica e até a leucemia que acometeu sua filha, na década de 1970. Para Gabriel Franklin, “a principal contribuição dele foi mostrar, para os produtores e leitores, que a HQ não tinha limites de enredo nem formato”.
JOÃO GABRIEL TRÉZ
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Will Eisner. O gigante dos quadrinhos

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