terça-feira, 17 de janeiro de 2017

DISCUSSÃO SOBRE DISTRIBUIÇÃO NO BRASIL

Um recorte da realidade, uma narrativa humorística ou de ficção, por meio das charges, cartuns e das histórias em quadrinhos (HQs) são formas autênticas de expressão de desenhistas e roteiristas. Em Uberlândia, algumas iniciativas fomentam a produção e instigam o público a acompanhar os trabalhos realizados na cidade. Mas os profissionais que atuam diretamente no setor acreditam que ainda é pouco para a cidade e que essas são ações esporádicas. A maior dificuldade enfrentada seria em relação à distribuição das obras produzidas.
Alexandre Carvalho, Dudu Torres, Rainer Petter e Sidnei Silva decidiram formar o Estúdio Mochila, voltado para ilustrações, design gráfico, histórias em quadrinhos e concept art para jogos. Mesmo assim, Carvalho diz que a produção local ainda é pequena. Com produções esporádicas, as dificuldades de divulgação e distribuição que os autores têm em relação a publicações de grandes editoras são os maiores entraves. “Nem todo leitor de quadrinhos está informado sobre a produção independente. Cada autor – ou grupo de autores – se vira como pode, mas no geral nossa desvantagem é não estar presente nas livrarias e bancas, que é onde a parcela maior desses leitores se encontram”, diz.
Alexandre Carvalho, Dudu Torres, Sidnei Silva e Rainer Petter formaram o Estúdio Mochila, voltado para ilustrações, design gráfico  e quadrinhos (Foto: Celso Ribeiro)
Alexandre Carvalho, Dudu Torres, Sidnei Silva e Rainer Petter formaram o Estúdio Mochila, voltado para ilustrações, design gráfico e quadrinhos (Foto: Celso Ribeiro)
Com isso, Torres destaca que em alguns casos é preciso buscar outras profissões. “Muitos quadrinistas vivem das mais variadas atividades. É impossível viver da produção brasileira de quadrinhos hoje. Tem muita gente que produz para fora há anos e se sustenta exclusivamente de quadrinhos. Mas quem depende de um mercado local se frustra”, afirma.
Por outro lado, ainda é possível reverter o quadro com o uso das plataformas digitais para acompanhar as produções independentes. “A opção de HQ digital é bem difundida hoje em dia e o problema da distribuição e divulgação pode ser contornado. Agora, para quem realmente só lê as HQs impressas é um problema, pois este público fica a mercê das escolhas das grandes editoras”, afirma Petter.
Contraponto
Na visão do pesquisador em quadrinhos Chico de Assis, existe uma cena de chargistas, cartunistas e quadrinistas na cidade, mas ela oscila constantemente. “No final dos anos 80 e início dos anos 90, a produção local era muito forte. Ela resistiu até o início dos anos 2000. Acredito que, por fatores econômicos que o País atravessa, a produção diminua. Mas tem uma série de profissionais atuando diretamente com isso. Assim, creio que há uma cena local”, afirma.
Há 20 anos no ramo, Luciano Ferreira acredita que é preciso um trabalho continuado para que as histórias em quadrinhos, charges e cartuns se desenvolvam ainda mais na cidade. “A falta de uma produção continuada prejudica a comercialização e o estabelecimento profissional de cartunistas. Um produto que tivesse uma continuidade de produção poderia fixar nomes, personagens e demais itens de uma produção regional na memória do público”, diz.
Para Torres, mesmo com o advento da internet e as facilidades de divulgação, o maior problema é alcançar um público numeroso. “Para alcançar o público maior, é preciso se aliar às editoras para conseguir colocar o trabalho nas maiores cadeias de livrarias do País. O problema é que a parceria com a editora, na maior parte das vezes, é bem desvantajosa. Dificilmente o autor verá algum tipo de lucro nessa equação”, finaliza o artista.

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