sábado, 19 de novembro de 2016

ENTREVISTA COM UM DESENHISTA DE TEX



Esqueça apetrechos tecnológicos ou grandes implicações existenciais. Para Tex Willer combater os inimigos do Oeste americano, basta uma pistola e seu inabalável senso de justiça. Criada em 1948 pelos italianos Giovanni Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini, a HQ é considerada um ícone na Europa e até hoje conserva o enredo das histórias de bangue-bangue ao melhor estilo de Clint Eastwood, John Ford e companhia. Convidado para participar da Comic Con Experience, em São Paulo, que acontece entre 4 e 7 dedezembro, o desenhista italiano Pasquale Del Vecchio faz parte do time da editora Sergio Bonelli desde a década de 1990 e hoje é um dos responsáveis pela criação das histórias de Tex. No bate-papo com a Galileu, o artista conta as razões que fazem o Velho Oeste ainda cativar uma legião de fãs em todo o mundo.    P: O enredo das histórias e o estilo do desenho não apresentaram grandes mudanças ao longo dos anos. Como é possível chegar a essa fórmula? O sucesso de Tex deve ser atribuído, em primeiro lugar, à genialidade de Gianluigi Bonelli e Aurelio Galleppini, que juntos conseguiram criar uma alquimia mágica e original. A editora também foi capaz de somar novos colaboradores em condições de continuar a tradição e introduzir energias novas.  P: Além de Tex, muitos clássicos do western no cinema foram produzidos na Itália. Por que existe esse fascínio em relação ao Velho Oeste? A epopeia do faroeste teve uma tradição mais duradoura e frutífera na Itália, e não nos Estados Unidos. Provavelmente nós, italianos, sentimos de maneira mais forte a fascinação pelos filmes de faroeste hollywoodianos dos anos 1950 e 1960 e conseguimos reproduzi-la em uma fórmula original, como é o caso dos spaghetti western e também de Tex.  P: Na hora de desenhar os quadrinhos, é mais importante retratar a fidelidade histórica ou se preocupar com o entretenimento? As minhas referências geralmente são fotos da época do Velho Oeste, do qual sou um aficionado. Mas elas devem ser usadas de forma indireta, porque o Oeste de Tex Willer é muito ligado à epopeia mítica dos filmes de John Ford, em que os caubóis e os homens da fronteira recebem uma aura de mitificação que, na realidade, normalmente não tinham. Também me inspiro nos grandes intérpretes do Oeste na arte e nos quadrinhos, como Giovanni Ticci, Jean Giraud e Gino D’Antonio.   P: Tex é um herói que não apresenta grandes dilemas morais, sendo o legítimo "mocinho" que enfrenta bandidos de maneira implacável. O público ainda gosta desse tipo de enredo?  Quando assistia aos filmes de faroeste, adorava os momentos e cenas de ação, com índios ou caubóis, e não gostava dos interlúdios sentimentais. Tex ainda obedece a essa velha regra dos gibis feitos logo após a Segunda Guerra e, com o tempo, isso se tornou uma característica das histórias do personagem. Há uma canção de Paolo Conte, Sandwich Man, que exemplifica isso em uma frase: “Eu quero índios, não quero amor!” (Foto: Divulgação)

Esqueça apetrechos tecnológicos ou grandes implicações existenciais. Para Tex Willer combater os inimigos do Oeste americano, basta uma pistola e seu inabalável senso de justiça. Criada em 1948 pelos italianos Giovanni Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini, a HQ é considerada um ícone na Europa e até hoje conserva o enredo das histórias de bangue-bangue ao melhor estilo de Clint Eastwood, John Ford e companhia. Convidado para participar da Brasil Comic Con, que aconteceu em São Paulo, em dedezembro, o desenhista italiano Pasquale Del Vecchio faz parte do time da editora Sergio Bonelli desde a década de 1990 e hoje é um dos responsáveis pela criação das histórias de Tex. No bate-papo com a Galileu, o artista conta as razões que fazem o Velho Oeste ainda cativar uma legião de fãs em todo o mundo.
P: O enredo das histórias e o estilo do desenho não apresentaram grandes mudanças ao longo dos anos. Como é possível chegar a essa fórmula?
O sucesso de Tex deve ser atribuído, em primeiro lugar, à genialidade de Gianluigi Bonelli e Aurelio Galleppini, que juntos conseguiram criar uma alquimia mágica e original. A editora também foi capaz de somar novos colaboradores em condições de continuar a tradição e introduzir energias novas.
P: Além de Tex, muitos clássicos do western no cinema foram produzidos na Itália. Por que existe esse fascínio em relação ao Velho Oeste?
A epopeia do faroeste teve uma tradição mais duradoura e frutífera na Itália, e não nos Estados Unidos. Provavelmente nós, italianos, sentimos de maneira mais forte a fascinação pelos filmes de faroeste hollywoodianos dos anos 1950 e 1960 e conseguimos reproduzi-la em uma fórmula original, como é o caso dos spaghetti western e também de Tex.
P: Na hora de desenhar os quadrinhos, é mais importante retratar a fidelidade histórica ou se preocupar com o entretenimento?
As minhas referências geralmente são fotos da época do Velho Oeste, do qual sou um aficionado. Mas elas devem ser usadas de forma indireta, porque o Oeste de Tex Willer é muito ligado à epopeia mítica dos filmes de John Ford, em que os caubóis e os homens da fronteira recebem uma aura de mitificação que, na realidade, normalmente não tinham. Também me inspiro nos grandes intérpretes do Oeste na arte e nos quadrinhos, como Giovanni Ticci, Jean Giraud e Gino D’Antonio.
P: Tex é um herói que não apresenta grandes dilemas morais, sendo o legítimo "mocinho" que enfrenta bandidos de maneira implacável. O público ainda gosta desse tipo de enredo?
Quando assistia aos filmes de faroeste, adorava os momentos e cenas de ação, com índios ou caubóis, e não gostava dos interlúdios sentimentais. Tex ainda obedece a essa velha regra dos gibis feitos logo após a Segunda Guerra e, com o tempo, isso se tornou uma característica das histórias do personagem. Há uma canção de Paolo Conte, Sandwich Man, que exemplifica isso em uma frase: “Eu quero índios, não quero amor!”

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