quinta-feira, 17 de novembro de 2016

DC E MARVEL QUAL INDÚSTRIA FAZ MELHORES SERIADOS PARA TELEVISÃO

Quem será que vence essa disputa?  (Foto: Flickr / Nick Royer)
Para os fãs de quadrinhos, a notícia de que um de seus superheróis favoritos ganhará uma série de televisão traz sentimentos mistos: por um lado, é empolgante ver uma forma live action dos personagens; por outro, a adaptação pode ser decepcionante.
Essas sensações têm sido despertadas constantemente. Nos últimos anos, as gigantes do mundo editorial de quadrinhos, Marvel e DC Comics, têm trabalhado em trazer toda uma gama de seus personagens para séries de televisão. Enquanto a DC trabalha com emissoras da TV aberta dos Estados Unidos para transformar heróis como o Arqueiro Verde, o Flash e a Supergirl em hits de audiência, a Marvel investe em uma parceria com o serviço de streaming Netflix para produzir séries mais condensadas sobre personagens como Demolidor, Jessica Jones e Luke Cage.
No painel “Como estão ocorrendo as adaptações da Marvel e da DC nos seriados?”, ocorrido nesta sexta-feira (29) na Campus Party 2016, em São Paulo, o tema foi debatido por especialistas. A criadora do Minas Nerds, Gabriela Franco, o professor e tradutor Fábio Fernandes, e o fundador da Social Comics João Paulo Sette falaram sobre as principais séries baseadas em quadrinhos da atualidade e como as raízes da Marvel e da DC Comics influenciam no resultado final que o público assiste.

Separamos alguns dos principais pontos do debate, confira:
Transmídia
Um dos pontos levantados pelo trio foi a importância da conexão transmídia dos estúdios, ou seja, como as histórias dos quadrinhos podem estar conectadas com as das séries, dos filmes, dos jogos e até mesmo do merchandising.
“A transmídia da Marvel é muito boa. Os seriados, os filmes e os jogos estão todos interligados”, afirma Gabriela Franco. “Eles já pensam em formas nas quais os personagens podem interagir juntos”, completa Fábio Fernandes.
Ele explica que personagens da DC Comics como o Superman e o Batman foram fizeram suas primeiras aparições nos quadrinhos em 1938 e 1939, respectivamente, mas a Liga da Justiça só foi formada no início de 1960. Na Marvel o processo foi feito de forma diferente: Thor e o Homem de Ferro apareceram pela primeira vez no início da década de 60 e os Vingadores surgiram em 1963.
Por conta disso, os seriados da Marvel acabam sendo mais bem-sucedidos ao trabalhar com o mesmo universo dos filmes e dos quadrinhos. Em Jessica Jones, por exemplo, há diversas referências a outros heróis com poderes e até mesmo às consequências à destruição e às batalhas ocorridas na cidade de Nova York em Os Vingadores. A série Agents of S.H.I.E.L.D. vai mais além, incorporando os próprios personagens, como Peggie Carter - que ganhou sua própria série - e o agente Coulson.
Proximidade dos quadrinhos
Arrow, série que aborda a jornada de Oliver Queen, o Arqueiro Verde, foi a pioneira dessa nova fase dos personagens da DC na televisão. Lançado em 2012, o seriado surgiu dos esforços do produtor Greg Berlanti, que depois também desenvolveu as adaptações televisivas que viriam a se tornar The Flash, Supergirl e Legends of Tomorrow.
Por ter sido a primeira da leva, era de se esperar que Arrow tivesse alguns problemas. “O que eu sempre gostei no Oliver é o fato de ele ser anarquista, uma espécie de Robin Hood”, diz Gabriela. “Na série não teve nada disso, não tem esse espírito de revolução.” Segundo Fábio Fernandes, a série começa a se encontrar na terceira temporada, com a apresentação de mais heróis, como a Canário Negro.
Já The Flash, que foi lançada em 2014, acertou em cheio ao apostar em uma “pegada parecida com a dos quadrinhos do fim da década de 50” nos quais o personagem Barry Allen (Flash) aparece. “A participação de outros heróis e as referências a outros elementos do universo da DC, como o sumiço de um piloto que virá a se tornar o Lanterna Verde, surgem desde o início da série e faz ela funcionar muito bem”, explica Gabriela. O mesmo ocorre com Supergirl, que estreou no fim de 2015 nos Estados Unidos e já é a série de superheróis mais assistida da TV aberta americana.
No caso da Marvel, o destaque vai para Demolidor e Jessica Jones, ambas produções feitas em conjunto com o serviço de streaming Netflix. Ambas se passam em Hell’s Kitchen, na cidade de Nova York, e compõem o mesmo universo de Os Vingadores.
“As duas são muito bem feitas”, afirma Fernandes, que assistiu a primeira temporada de Demolidor inteira duas vezes. “Em algumas cenas da série vi o quadrinho transposto perfeitamente para a tela. A produção teve todo o cuidado de recriar aquele universo”, completa Gabriela, que assistiu a série toda três vezes. O mesmo vale para Jessica Jones, que além de ser sobre uma heroína poderosa, aborda o tema do abuso contra as mulheres. “Muitas mulheres passam por abusos na realidade e a série conseguiu abordar o tema de forma incrível”, diz.
Histórias Condensadas
Outro fator essencial para o sucesso das séries, de acordo com os especialistas, é o formato. As emissoras abertas (como as que exibem as produções da DC) investem em seriados com cerca de 22 episódios de 40 minutos de duração por temporada. A quantidade de capítulos pode ser cansativa tanto para os espectadores quanto para o roteiristas. Afinal, o arco dramático da temporada acaba sendo prolongado, fazendo que, por vezes, os escritores escolham por investir no “monstro da semana”, formato no qual os heróis lutam contra um violão diferente por episódio, em vez de ter um drama mais aprofundado por temporada.
Nesse sentido, a parceria da Marvel com a Netflix se sai muito bem. O serviço de streaming tem como característica desenvolver séries com até 13 episódios de cerca de 50 minutos por temporada - que são liberados todos de uma vez. Essa opção faz com que os episódios vão direto ao ponto e que o público se envolva mais com o drama, por vezes assistindo a temporada inteira de uma só vez.
Vistos os pontos discutidos acima, a Marvel está se saindo melhor nas adaptações. “A DC ainda está se moldando para as adaptações, mas vai chegar lá. Só pode demorar um tempo”, conclui Fernandes.

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