terça-feira, 15 de novembro de 2016

A ÉPOCA DOS GIBIS DE HORRO NO BRASIL

Entre os anos 50 e 80, o terror ocupava grande parte das publicações no Brasil. Ao contrário dos modelos norte-americanos, as HQs brasileiras se baseavam em nossas lendas, folclores e religiosidade popular, o que garantiu o êxito comercial e a extrema popularidade das obras.
Apesar de não manter o mesmo hype que tinha há algumas décadas, esse gênero ainda é muito bem abordado por mãos nacionais que produzem materiais aclamados, profundos e de qualidade. Para aproveitar que ainda é semana de Dia das Bruxas, nada melhor do que entrar no clima e conhecer alguns desses quadrinhos.
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1) O DIABO E EU (2016)

Robert Johnson é um dos mais importantes nomes do blues e sua influência no fundamento do rock and roll é incontestável. Ele é considerado um dos melhores guitarristas de todos os tempos. Embora não tenha gravado mais do que 29 músicas em vida, sua morte disseminou seu trabalho ao redor do mundo e inspirou novos artistas.
O homem e suas virtudes são praticamente uma lenda, porém não tão mitificada quanto a que rodeia a origem de seu sucesso. Segundo o boato, Johnson enterrou uma garrafa em uma encruzilhada e vendeu sua alma ao tinhoso para que fosse extremamente talentoso e capaz de alçar a fama. Várias de suas músicas, que parecem fazer apologia a esse acontecimento, e as lacunas em sua biografia ajudaram a lenda a se propagar e a perdurar até os dias de hoje.
O Diabo e Eu, escrito por Alcimar Frazão, nos traz a história de Robert moldada em torno de todas as teorias e informações sobre sua vida, desde o padrasto violento e o preconceito racial até sua suposta morte causada por cães raivosos. A obra conta com elementos simbólicos da região natal do músico, o estado do Mississipi, com um estilo de arte bem brasileira e com a ausência de diálogos, o que dá ao leitor grande margem de interpretação.
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2) PAPA-CAPIM: NOITE BRANCA (2016)

Na primeira graphic novel desse personagem de Mauricio de Sousa – e também o primeiro título de terror da série MSP –, o índio Papa-Capim, agora mais crescido, tem que enfrentar um mal que o Pajé evita revelar e que coloca toda sua aldeia sob perigo. Ele começa, então, a preparar os jovens guerreiros da tribo para o mais perigoso desafio de suas vidas.
Escrita por Marcela Godoy, roteirista experiente no gênero de terror, a história é baseada em um antigo texto indígena que relata a reação dos índios ao verem um homem branco em suas terras pela primeira vez. Temas como possessão, canibalismo, ataques, teor de violência e morte compõem a trama de uma maneira que não esperaríamos no universo da Turma da Mônica. A arte sublime de Renato Guedes nos passa perfeitamente todos os elementos da paisagem e da atmosfera macabra vivenciada pelos personagens.
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3) LAVAGEM (2015)

O escritor e quadrinista Shiko decidiu adaptar um curta-metragem de sua autoria para um quadrinho. O resultado foi Lavagem, considerada uma das melhores obras do segmento dos últimos tempos.
Na trama, um “homem de Deus” bate à porta de um casal que vive isolado no mangue – ela, temente ao Senhor e analfabeta; ele, ignorante e incrédulo. O forasteiro diz ter a intenção de disseminar os ensinamentos da Bíblia, mas acaba trazendo muito mais do que isso com suas palavras. Apesar de não poder explicar direito sem entregar spoilers, é sem dúvidas uma obra nacional que merece ser conferida.
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4) DUPIN (2015)

Nesta releitura do conto Os Assassinatos da Rua Morgue, de Edgar Allan Poe, o experiente detetive que protagoniza a história e seu parceiro são trazidos para os dias de hoje como crianças. Gustave e Edward são primos que se reencontram no Brasil e são obrigados a morarem juntos após a morte do pai de Gustave, que viva em Portugal.
Assim como na trama original, os dois personagens têm que lidar com o brutal assassinato de duas mulheres na rua em que moram e desenvolvem uma obsessão pela solução desse caso. Apesar da transformação dos personagens em crianças, a essência de suspense e mistério oferecida por Poe não é perdida, mas magistralmente conduzida por desenhos em preto e branco que ressaltam o clima tenso e os diálogos inteligentes.
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5) DORA (2014)

Desde criança, Dora nunca foi muito normal. Nunca falou, nunca chorou e tem a expressão constante de quem precisa desesperadamente fugir. A mãe da garota sabe que adolescentes podem ser cruéis uns com os outros, mas não entende o porquê de ninguém querer ficar perto da filha – mesmo que talvez Dora seja a responsável por machucar outras crianças e até pela morte de algumas pessoas no condomínio onde moravam.
Agora, a polícia acusa Dora por 15 assassinatos e sua mãe reúne todas as forças para provar a inocência da filha e para não perdê-la. Mas a menina é realmente tão inocente assim? Esse julgamento cabe ao leitor ao longo das 128 páginas recentemente relançadas pela Editora Mino, originalmente publicadas de forma independente em 2014 pela autora e artista Bianca Pinheiro.
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6) BELADONA (2011)

A HQ foi lançada de forma independente na internet com páginas diárias no site Petisco, e, em 2014, chegou às livrarias como graphic novel. Beladona gira em torno da personagem Samantha e se passa em dois mundos: um no qual a garota vive sua rotina normal, na cidade do Rio de Janeiro, e outro à noite, formado pelos pesadelos que a aterrorizam.
Assolada por espíritos malignos em seu sono desde os sete anos, Samantha não faz ideia dos reais intuitos maléficos que esses elementos têm e de sua própria força e ligação com o universo dos sonhos. A trama se torna mais envolvente a cada página e ainda conta com traços bastante estilizados, que oferecem uma boa experiência visual e expressam de forma inteligente a diferença entre os dois mundos. Um excelente quadrinho, considerado um dos melhores da produção nacional.

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