domingo, 21 de agosto de 2016

O QUE VAI ABORTAR 'JUSTIÇA" NOVA MINI SEREI DA GLOBO

Jesuíta Barbosa, Adriana Esteves, Jéssica Ellen e Cauã Reymond (Foto: Divulgação/TV Globo)
Jesuíta Barbosa, Adriana Esteves, Jéssica Ellen e Cauã Reymond (Foto: Divulgação/TV Globo)
Lembra que na série “Sessão de Terapia” cada dia da semana era dedicado a um paciente? Se você quisesse saber a continuação de seu drama, teria que esperar a semana seguinte. A minissérie “Justiça” – que a Globo estreia no da 22 após “Velho Chico” – é mais ou menos assim. A cada dia da semana, “Justiça” conta uma história diferente em que um personagem é condenado a sete anos de prisão e tem sua vida transformada ao sair da cadeia: Vicente (Jesuíta Barbosa) às segundas-feiras, Fátima (Adriana Esteves) às terças, Rose (Jéssica Ellen) às quintas e Maurício (Cauã Reymond) às sextas (quarta-feira o programa não será exibido). No total, serão 20 capítulos em cinco semanas.
A diferença é que as histórias desses personagens se cruzam (em “Sessão de Terapia”, as histórias eram totalmente independentes). Fátima, a protagonista das terças, trabalha como doméstica na casa de Elisa (Débora Bloch), cuja filha foi assassinada por Vicente – a trama das segundas. Ou seja, Fátima também aparece às segundas como coadjuvante, ou figurante, ou uma personagem aparentemente sem importância. E ainda pode aparecer nos outros dias (pode simplesmente surgir no fundo de alguma cena), já que, em algum momento, ela poderá se relacionar com personagens das outras histórias.
O maior diferencial com “Sessão de Terapia”, no entanto, está no fato de esses cruzamentos serem importantes para as histórias dos outros dias. Exemplo hipotético: às segundas, numa cena corriqueira na trama de Vicente, Fátima poderá dar uma dica para o público de algo a respeito de sua história (a da terça). E o mais sensacional: o telespectador vai rever aquela cena no dia seguinte, mas sob o ângulo de Fátima, já que a trama principal agora é a dela e o núcleo de Vicente ficou em segundo plano.
Em “Sessão de Terapia”, o protagonista de cada dia da semana era independente dos outros. Você podia, sem prejuízo algum, acompanhar exclusivamente a história das segundas-feiras, por exemplo. Em “Justiça”, é aconselhável assistir todos os dias da semana, para uma visão sistêmica e um entendimento mais amplo desse emaranhado de histórias. A autora Manuela Dias e o diretor artístico José Luiz Villamarim propõe ao público um exercício de atenção e percepção – diferente da reiteração das novelas, em que o telespectador recebe a mesma história repetida e mastigada todos os dias.
“A ideia é fazer do formato um atrativo e não uma dificuldade. A cada dia, a cada cena conjunta que une personagens das quatro tramas, o público vai ganhar um presente: uma mesma situação será vista por vários pontos de vista. E a cada repetição de cena, o público vai perceber algum detalhe novo”, explicou Villamarim (também diretor das novelas “Avenida Brasil'' e “O Rebu'' e das minisséries “O Canto da Sereia'' e “Amores Roubados“).
O diretor José Luiz Villamarim e a autora Manuela Dias no lançamento da minissérie (Foto: Ellen Soares/Gshow)
O diretor José Luiz Villamarim e a autora Manuela Dias no lançamento da minissérie (Foto: Ellen Soares/Gshow)
A justiça a que se refere a minissérie não é a formal, legal, com julgamento ou tribunal. “Justiça” trata da visão pessoal e subjetiva do tema, abordando perdão, vingança e arrependimento. Vicente matou a namorada e cumpriu sua pena. Mas, para a mãe da vítima, a justiça seria realmente feita se ele também morresse. Fátima é vítima: foi presa portando drogas através da armação de um policial mau caráter. A prisão injusta desestruturou sua família. Rose foi pega com drogas juntamente com sua melhor amiga, Débora (Luísa Arraes). Acabou condenada porque era negra e pobre, diferente de Débora, branca e rica, que foi liberada. Maurício foi preso porque cometeu eutanásia contra a mulher, vítima de um acidente que a deixou tetraplégica. Mas ele acatou a um pedido dela, para abreviar seu sofrimento. Ao sair da cadeia, ele vai se vingar do homem que atropelou sua esposa sem prestar-lhe socorro.
A cada dia, essas histórias são narradas sob o ponto de vista de seus protagonistas. Entretanto, ao cruzarem com personagens dos outros dias, essas visões ganham novas perspectivas, porque serão vistas posteriormente sob o ponto de vista de outros personagens. Elisa (Débora Bloch) é patroa de Fátima, a doméstica simplória que tem seu caminho tranquilo transformado pelo policial Douglas (Enrique Diaz). Ele é o policial preconceituoso que prende Rose, sob a acusação de tráfico de drogas. Desde antes da prisão que mudou radicalmente sua vida, Rose namora Celso (Vladimir Brichta), dono de um quiosque e sócio de Maurício. Este, por sua vez, trabalha para Euclydes (Luiz Carlos Vasconcellos), que é sócio de Antenor (Antonio Calloni), o homem que, em fuga, atropela a esposa de Maurício, Beatriz (Marjorie Estiano), deixando-a tetraplégica. Euclydes é pai de Vicente, que, num ataque de ciúmes, matou a noiva, Isabela (Marina Ruy Barbosa), filha de Elisa.
“Nessa minissérie, forma é conteúdo. A ideia do formato e a ideia das histórias nasceram juntas. O que é justo depende do ponto de vista em que vemos a questão. Por isso, contar a história sob diversos pontos de vista é uma questão estrutural que explora o conteúdo trazendo uma nova forma narrativa”, disseManuela Dias (também autora da minissérie “Ligações Perigosas“).

Jesuíta Barbosa, Adriana Esteves, Jéssica Ellen e Cauã Reymond (Foto: Ellen Soares/Gshow)
Jesuíta Barbosa, Adriana Esteves, Jéssica Ellen e Cauã Reymond (Foto: Ellen Soares/Gshow)
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