terça-feira, 9 de agosto de 2016

A HISTORIA DA HOMOSSEXUALIDADE NOS QUADINHOS

As histórias em quadrinhos são espelho da sociedade, refletem a cultura em que se insere, seja na maneira de vestir, modismo, manias, filosofias, hábitos alimentares linguagens e sexualidade. Algumas décadas atrás falar de homossexualismo ainda era tabu. Hoje o tema é “quase” comum em páginas – de alguns países – de gibis. Mas o que se nota nos quadrinhos atuais são histórias com personagens secundários, ou mesmo narrativas alternativas acontecendo em plano paralelo (outra dimensão). Tudo para não “assustar” o leitor.

Tanto que o primeiro personagem abertamente gay da turma do Archie, Kevin Keller, irá se casar em janeiro de 2012. o evento acontecerá em Life With Archie n.16, publicação que apresenta futuros alternativos do personagem principal. Na edição de janeiro, Keller será mostrado como um herói de guerra que volta a Riverdate e se casa com seu grande amor. Keller foi criado em 2010 e desde então recebeu várias críticas positivas. O personagem foi criado por Bob Montana.

Em 2009, a revista X-Force apresentou o primeiro beijo gay entre super-heróis. No exemplar 45, lançado nos Estados Unidos, os ex-colegas Rictor e Shatterstar saem do armário. Na história, Shatterstar é tirado de um transe por Rictor e Guido
Jean-Paul Beaubier, mais conhecido como Estrela Polar (North Star) foi criado por John Byrne e Chris Claremont como um integrante da Tropa Alfa, um grupo de heróis canadenses. A primeira HQ do rapaz apareceu em Uncanny X-Men n.120 (em 1979), mas o rapaz só saiu do armário em uma história em 1983. Mesmo após a definição, a homossexualidade do personagem não era inicialmente citada ou comentada e sim sugerida de maneira sutil, de acordo com as regras internas da Marvel na época. Isso porque existia o Comics Code, a censura disfarçada em “ código de ética” que imperou por décadas nas publicações estadunidenses.

Na versão Millenium (Ultimate), publicada no Brasil nos gibis do Homem-Aranha Millenium, não só Jean Paul é assumidamente e abertamente gay como outro mutante famoso dos X-Men, Colossus (Pietr rasputin), é seu namorado. Colossus é um russo super-forte que consegue transformar sua pele em “aço orgânico”. Quando sai do armário, outro mutante que até então era seu amigo, Noturno, se revela homofóbico e a amizade acaba. A paixão de Colossus por Estrela Polar faz com que ele chegue a mutilar Wolverine em um conflito para salvar o namorado (todos se recuperam, menos Estrela Polar, que acaba paralisado em decorrência de uma overdose). Toda essa narrativa é uma versão alternativa, ou seja, uma maneira da editora faturar com o tema.

Se na Marvel há mutantes gays, na DC a coisa fica mais restrita aos personagens secundários, ainda que de maneira mais resolvida e aberta que na concorrente. Nas HQs do Superman, por exemplo, John Byrne criou a policial Maggie Sawyer, lésbica assumidíssima. Nas histórias do Flash, o originalmente vilão Flautista saiu do armário duplamente: deixou de ser vilão e se revelou homossexual. Tem ainda a Batwoman...

A editora Wildstorm tirou do armário os dois maiores ícones da concorrente por meio de uma paródia. Authority, série da Wildstorm estrelada por uma espécie de Liga da Justiça hardcore, que suja as mãos para impor a lei a seu modo, traz o que claramente são versões homossexuais de Superman e Batman: Apollo e Meia-Noite. Criados por Warren Ellis, os dois são namorados e casca-grossas. Apollo é um super-humano cujos poderes são alimentados pela luz solar, dotado de força descomunal, invulnerabilidade, poder de vôo e a capacidade de disparar rajadas de energia pelos olhos. Meia-Noite possui implantes neurais que o tornam o lutador perfeito.

Camelot 3000 apresentou uma lésbica um tanto quanto diferente. Em uma história que mistura invasão alienígena e reencarnação, ressurgem no ano 3000 personagens lendários como o rei Arthur, Lancelot, Merlin e outros. Sir Tristaun (Tristão) reencarna em um corpo feminino, mas com suas memórias de homem, e vive um dilema não só porque não quer ser tratado como literalmente uma lady como também porque redescobre sua amada Isolda, que reencarnou como mulher mais uma vez. Ao final da série, que é uma maravilhosa releitura dos cavaleiros da Távola, as duas mulheres têm um final romântico e sexualmente feliz.
O cowboy Rawhide Kid, um dos primeiros super-heróis dos quadrinhos a assumir ser homossexual, agora pode ser lido no iPad e no iPhone. Rawhide Kid apareceu em 16 revistas da Atlas Comics (antecessora da Marvel, de Março de 1955 a Setembro de 1957). Em agosto de 1960, Stan Lee, Jack Kirby e Dick Ayers resolveram continuar a série. Kirby fez os desenhos até Fevereiro de 1963 (n. 32). Stan Lee foi substituído nos roteiros pelo seu irmão Larry Lieber. O fim da série se deu em Maio de 1979, com a revista número 151.Rawhide Kid era rápido no gatilho, mas sua fala tranquila e seu jeito de garoto o faziam ser frequentemente subestimado pelos seus antagonistas. Numa controversa série de 2003 da Marvel MAX, de 5 edições, Rawhide Kid foi revelado como homossexual. Os artistas foram Ron Zimmerman e o veterano John Severin.
Como se pensava antigamente que quadrinhos era mídia só para crianças, o tema era infantil. A faixa-etária do público-alvo cresceu nas últimas décadas. Conforme os leitores cresceram os temas passaram a ser mais abrangentes. Dessa forma, a sexualidade passou a ser assunto lidado mais abertamente, e com ela também a diversidade sexual. Mas a abertura é lenta e gradual. A ideia de uma postura aberta seduz às grandes instituições e editoras, além de levá-las ao topo dos tabloides em segundos. É preciso estar sempre atentos ao real caráter dessas abordagens. Desde Watchmen (1986) e Sandman (1988-1996), dois dos maiores referenciais dessa forma de arte, personagens assumidos tem surgido aqui e ali.

Com qualquer menção à homossexualidade nos quadrinhos norte americanos era proibido pelo Código Autoridade Comics (CCA) até 1989, tentativas anteriores de explorar estas questões em que os EUA tomaram a forma de sugestões sutis ou sub´texto sobre orientação sexual de um personagem. A homossexualidade foi abordado no início comix subterrânea a partir dos anos 1970. Independentemente publicado one-off histórias em quadrinhos e série, muitas vezes produzidos por criadores gay e com histórias autobiográficas, abordou questões políticas de interesse para os leitores. Desde a década de 1990 temas LGBT (lésbica , gay , bissexual e transsexual) se tornaram mais comuns nos principais comics EUA, inclusive em um número de títulos em que um personagem gay é a estrela. A falta de censura, e uma maior aceitação dos quadrinhos como meio de entretenimento adulto levou a menos controvérsia sobre a representação de personagens LGBT.

A história da homossexualidade nos quadrinhos é uma questão complicada, dado que havia um momento em que qualquer tipo de sexualidade nos quadrinhos mainstream foi tabu, sob os auspícios do Comics Code Authority. O Código foi instituído em 1954, em grande parte em resposta ao livro de reacionário Dr. Fredric Wertham, "Seduction of the Innocent", em que o psiquiatra alertou os pais sobre o conteúdo violento e sexual de revistas em quadrinhos do dia.

Enfrentando a ameaça muito real de censura governamental, a Associação Revista Comic of America optou para a auto-censura. O CMAA redigiu o Código originais Comics em 1954 e estabeleceu o Comics Code Authority para supervisionar a sua implementação. O código de definir diretrizes diante rigorosos para a representação de coisas como crime, violência e sexo em quadrinhos, e proibiu a representação de tudo o que foi considerado no momento de ser moralmente repreensível. Todos os comics público-geral foram obrigados a aderir ao Código de Quadrinhos e para o selo CCA, e apesar de orientado para adultos comics não foram expressamente proibido, o suficiente distribuidores parado carregando não CCA quadrinhos aprovado que o material foi processado grosseiramente inútil. EC Comics "linha de horror populares dobrado na esteira do CCA, e foi apenas uma de suas muitas baixas.

O Comics Code foi largamente modelado após o Código Hays, o conjunto de diretrizes indústria cinematográfica implementado em 1930 pelo que mais tarde tornou-se a MPAA, e algumas das decisões tomadas pelos administradores de ambas poderiam ser descritos como, em uma palavra, arbitrária. O CCA passou por duas grandes revisões - uma em 1971 e uma em 1989 - antes de, eventualmente, desaparecendo em obsolescência. A revisão foi motivada por 71 a recusa do CCA para colocar seu selo de aprovação em um de três partes "Spider-Man" história escrita por Stan Lee que a dependência química descrita. Apesar do fato de que Lee foi solicitada a escrever a história do Departamento de Educação dos EUA, Saúde e Bem-Estar com a finalidade de informar as crianças sobre os perigos da toxicodependência, a CCA ignorou o contexto e aderiu à letra do Código, que proibia a inclusão de substâncias controladas de qualquer tipo em uma página de quadrinhos. À luz das elogios da crítica de Lee "Spider-Man" história recebeu, o Código revisado Comics de 1971 permitiu o uso de drogas no código-aprovado Comics, desde o vício era estritamente mostrado em uma luz negativa.

Existem outros personagens que abordam o tema. Os adeptos dos quadrinhos pornô podem encontrar satisfação lendo as aventuras de Rogue, de Bruno Gmunder, ou mesmo ler os trabalhos dos desenhistas Michael Breyette, Robert W.Richards, Foxy Andy ou Blue Grey. Eles fazem quadrinhos gays.

O estudioso Christophe Bourseiller (Les Forcenés du desir, Denoel, 2000) chama “funáticos do desejo” os que classificam e se fecham nos guetos de suas particularidades para atirar pedras no resto da humanidade. Todos os que maldizem as falsas divisões impostas pela natureza, pelo machismo, pela Igreja, pela burguesia, estão, por sua vez, presos ao narcisismo da pequena diferença e não param de vituperar contra quem quer que divirja de suas opiniões. A vida íntima é exposta alto e bom som por meio dos grupos de pressão, cada um se alardeia militante do próprio desejo para melhor denegrir o dos outros.

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