sexta-feira, 1 de julho de 2016

DOSSIE MERCADO DO QUADRINHO ERÓTICO E SEUS QUADRINHISTAS


Na origem da palavra, catecismo é uma instrução religiosa, o ensino oral da religião cristã. Porém, nos anos 50 e 60 os catecismos eram pequenas revistas que apresentavam o mundo erótico e do sexo para uma população de jovens que não tinham nenhuma informação a respeito. O erotismo continua em alta nos dias de hoje. Indo do sutil ao explícito, do sofisticado ao visceral, pululam no mercado edições dedicadas ao gênero. Há desde o virtuosismo do italiano Milo Manara, que tem o quarto volume de seu Clic lançado pela Conrad; aos Quadrinhos sacanas compilados pelo brasileiro Worney Almeida de Souza, que acaba de sair pela editora Peixe Grande; passando ainda pela autoficção da bela e misteriosa quadrinista Giovanna Casotto.
No caso de Worney, a artilharia é pesada: ele compilou uma série de quadrinhos com temas tabus, como bestialismo, homossexualismo, defloramento e... sexo espacial. São histórias originais dos anos 50 e 60, responsáveis pela iniciação sexual de muita gente. O critério de escolha foi procurar o que havia de mais inusitado:
Estes quadrinhos serviram para que muita gente descobrisse o sexo, sem as limitações ou imposições da moral burguesa e da visão da Igreja Católica explica. Hoje a situação é muito diferente: o sexo é um produto de consumo que é enfiado pela goela de todos, especialmente os jovens. Virou um assunto banalizado. Os sites pornôs são um veiculo de consumo eficiente, mas não cumprem o papel dos antigos catecismos.
Animado, ele já está dando os últimos retoques no segundo volume, intitulado Quadrinhos sujos, que será dedicado às HQs americanas satirizando atores e atrizes do cinema e dos quadrinhos. Mas será que os leitores ficarão a vontade de ler qualquer um dos livrinhos em público?
Creio que mesmo com toda a liberalidade que permeia as publicações eróticas ou pornô, ainda existe uma predisposição sobre a leitura pública de HQ eróticas. Mas, francamente, existem lugares e lugares para se abrir uma revista pornô!
Qualidade italiana
O também jornalista Gonçalo Júnior acaba de lançar o segundo volume da série, também batizado de Maria erótica e o clamor do sexo (Editora Peixe Grande). Novamente o foco é a história em quadrinhos como alvo de censura, porém, desta vez o livro fala sobre a Edrel e a Grafipar, duas editoras de gibis que exploraram erotismo e foram vítimas do regime militar.
Não era possível desvincular a história das esditoras do seu contexto político, uma vez que erotismo era apontado como arma dos comunistas para destruir a família brasileira explica Júnior. Foi preciso situar as duas editoras dentro da repressão da ditadura.
Milo Manara é um dos principais nomes do quadrinho erótico mundial. Sua fama mundial veio com a série Clic, sobre uma recatada dama da alta sociedade que descobre o prazer num clique de uma máquina. A Conrad Editora já lançou três álbuns no Brasil e promete o quarto volume em breve.
A mesma editora também lançou os três primeiros volumes de Bórgia, uma parceira de Milo Manara e o chileno Alejandro Jodorowsky, sobre a saga da família Bórgia, que ficou famosa no século 15 por dar ao mundo dois papas de reputação duvidosa e se tornaram símbolo de decadência da Igreja no fim da Idade Média.
Há ainda que destacar o álbum Giovanna, criado por Giovanna Casotto, a primeira quadrinista italiana a desenhar histórias eróticas. Inspiradas nas pin-ups dos anos 1950, a artista é famosa pelo realismo de suas ilustrações. Para aguçar ainda mais a imaginação do leitor, ela tira fotos de si própria nas mais variadas posições para depois utilizar como base de seus desenhos.

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