quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

A ARTE QUE NUNCA ENVELHECE

 moleque atrevido, criativo, muito custoso como a gente diria aqui no Goiás e absolutamente encantador, este é o Calvin.  Na parceria de Haroldo, seu tigre de pelúcia, formam uma das duplas mais geniais dos quadrinhos.Com elementos como irreverência e surrealidade conquistaram admiradores em todo o mundo de mais de uma geração.
Calvin e Hobbes foram criados pelo norte americano Bill Watterson, a tirinha foi distribuída apenas por 10 anos de 85 a 95. A história da dupla é a seguinte um garotinho cheio de imaginação atribui vida a seu tigre de pelúcia e juntos eles questionam, subvertem e descobrem o mundo.
Bill adorava uma boa ironia e o nome do garoto Calvin foi inspirado em um religioso que defendia que a natureza do homem era declinada a maldade, se trata de João Calvino da reforma protestante.
No Brasil o nome do tigre ficou Haroldo, mas na versão original seu nome é Hobbes, inspirado no filósofo Thomas Hobbes. Esse filósofo construiu a célebre frase “O homem é o lobo do homem”, ou seja mais um cara que acreditava na natureza do homem como voltada para a maldade. A ironia está no fato de que Calvin e Haroldo apesar dos nomes representam o que há de sincero e surreal nas pessoas.
Com os quadrinhos de Calvin Bill abordou vários assuntos, inclusive o machismo. A representação machista fica por conta do protagonista que vez ou outra aplica sobre a personagem Susie seu discurso de superioridade por ser garoto. A desconstrução vem do fato de que Susie geralmente se sai muito bem ignorando ou irritando Calvin, mostrando que sua pretensa superioridade não é real e não a atinge da forma como ele acha.
Outra abordagem recorrente das tirinhas são as relações familiares. O jeito subversivo e criativo de Calvin enlouquece sua família por vezes que tenta lidar com o filho. Bill encarna uma criança que questiona as ordens que recebe, as obrigações que são impostas, com uma riqueza incrível de construção. Calvin muitas vezes mostra uma malícia que não é característica de sua idade, mas não dá pra duvidar que Calvin tenha 6 anos devido a sua visão de deslumbre e criatividade em relação a seu universo.
Na internet sempre rodam umas invencionices que todo mundo acredita, com Calvin também aconteceu. Circulou muito por aí uma tirinha em que Calvin deixa de ver Haroldo como “real” e passa a enxergá-lo como o bichinho de pelúcia que ele realmente é, porém não foi Bill quem criou essa tirinha, atribuída como a última da dupla. No quadrinho Calvin é colocado como o garoto esquizofrênico no qual os remédios começam a fazer efeito.
 Em um de seus depoimentos Bill expressa sua relação com os quadrinhos, o personagem de Calvin e o processo criativo “Colocar-me na cabeça de um garoto fictício, de seis anos e um tigre, me encoraja a ser mais alerta e inquiridor do que eu seria normalmente. Eu adoro a solidão deste trabalho e a oportunidade de trabalhar com idéias que me interessam. Esta é a maior recompensa dos quadrinhos para mim.”
Bill Watterson nunca permitiu que Calvin se tornasse um produto. Ele não vendeu os direitos autorais que fizessem de Calvin uma marca de produtos, queria manter o caráter artístico e criativo de sua obra. Bill abandonou a publicação para viver uma vida de reclusão em relação a fama que ganhou com seu trabalho. Calvin e Haroldo se mantêm como uma expressão do que há de mais aventureiro e subversivo no processo de conhecimento do mundo.
A verdadeira última tirinha criada pelo autor Bill Watterson

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