quarta-feira, 24 de junho de 2015

CRIATIVIDADE NOS TRAÇOS E SIMPLES ASSIM...





Os quadrinhos são responsáveis por um mercado lucrativo que aproxima artistas e consumidores de todo o mundo. Atuando em espaços editoriais ou publicitários, ilustradores, roteiristas e outros profissionais integram uma rede articulada. O Ceará não fica de fora e tem em Fortaleza e Limoeiro do Norte seus principais representantes.

Focado nesse potencial, o Sebrae Ceará promove hoje um evento para debater os desafios da profissão. O Panorama Ceará de Ilustração e Quadrinhos acontece a partir das 8 horas no Museu da Indústria, no Centro. A programação inclui debates, feira de produtos, exposição de trabalhos e uma rodada de negócios com a presença de editoras locais além das paulistas Veneta e Draco, e da sul-rio-grandense Jambô.

O encontro vem na sequencia de uma pesquisa realizada pelo Sebrae para conhecer melhor os profissionais da área. Feita pela internet, a pesquisa foi respondida por 154 artistas cearenses. De acordo com as informações coletadas, apenas um terço dos profissionais vive exclusivamente de quadrinhos, enquanto outro terço usa a atividade para complementar a renda e outro terço a encara como hobbie. Outros números revelados pela pesquisa dão conta que apenas 17% dos quadrinistas usam CNPJ e 21% são mulheres.

Segundo o coordenador de projetos de economia criativa do Sebrae Ceará, Glauber Uchoa, a ideia é trazer mais informação para os profissionais. “Hoje, as pessoas ficam dependentes de mostrar essa produção, que cresceu e vem sendo incentivada por editais das secretarias de cultura, mas isso não é suficiente para manter o mercado”, aponta, adiantando que pretende manter uma agenda mensal de encontros para discutir mais o mercado de quadrinhos.

Um primeiro encontro já foi realizado no último sábado, 13, na Biblioteca Dolor Barreira. Na ocasião, o jornalista e ilustrador Daniel Brandão deu dicas de como apresentar trabalhos para editoras, já como uma preparação para o Panorama. “Quando se pensa em mercado, não tem como fazer uma fronteira. Através da internet, a gente trabalha para o mundo inteiro”, explica Daniel, que possui 20 anos de experiência na área. Segundo ele, o campo de trabalho vem crescendo sensivelmente e abrindo novas possibilidades. “Hoje, o que o mercado apresenta é que se deve pensar de forma empreendedora”, resume Daniel, citando Ed Benes, quadrinista natural de Limoeiro do Norte que, sem domínio da língua inglesa, presta serviços para a gigante DC Comics.

Já para o roteirista Zé Wellington, o mercado cearense “é um reflexo do nacional como um todo”. “Está crescendo, mas os profissionais ainda precisam se virar para apresentar seus trabalhos e sobreviver. Ainda é muito difícil viver disso e a maioria foca como um plano B”, analisa. Ainda assim, ele, que também é analista técnico do Sebrae, destaca que existem muitas possibilidades de negócio que podem surgir a partir de encontros como o de hoje. “Algumas poucas editoras perceberam o potencial dos quadrinhos. É mais um trabalho que temos, o de sensibilizar as editoras cearenses”.

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