sexta-feira, 15 de maio de 2015

FÃS ESPERAM E COMEMORAM SEUS HERÓIS NA TELINHA E NOS CINEMAS

Fãs de super-heróis comemoram o sucesso dos quadrinhos no cinema
Mais de três décadas lendo e colecionando gibis de Batman, Superman e tantos outros personagens icônicos do mundo dos quadrinhos fizeram de Henry Bernardo um super-herói também. Claro, não o mesmo tipo heroico, com cinto de utilidades e visão de raio-x, mas de uma espécie que ele próprio admite estar cada vez mais rara: “Aprendi com eles a querer ser um homem melhor, honesto e que acredita ainda no fazer bem”.
 
Dono de cerca de 2 mil revistinhas, além de uma rica memorabilia, composta por bonecos, bat-móveis e cards que ele coleciona desde os sete anos, esse herói da vida real confessa que nunca foi tão bom ser fã de quadrinhos como agora. Ao contrário dos mutantes de “X-Men”, caçados pelas autoridades por serem diferentes dos humanos, os geeks – como são chamados os obcecados por HQs – não têm mais do que reclamar.
 
Além dos quadrinhos não serem vistos como “coisa de criança”, a vasta galeria de personagens poderosos é atualmente a maior fonte de renda dos produtores de cinema, resultando em filmes campeões de bilheteria. A continuação de “Vingadores”, por exemplo, já em cartaz nas salas de exibição, alcançou a segunda melhor arrecadação no final de semana de estreia, nos Estados Unidos, só superado pela produção original (2012).
 
Gibis milionários
 
“Depois que a Disney comprou a Marvel, o gênero ganhou bastante força, com o investimento de milhões de dólares nas produções”, destaca Henry, assessor de comunicação numa estatal mineira. Esse elemento é fundamental para diferenciar outras tentativas de se levar o universo dos gibis para a tela grande. “Nas décadas de 80 e 90, a Marvel acabou rifando os seus personagens, vendendo os direitos para produções capengas”.
 
Mas o fator orçamento não é a única explicação para o êxito dos filmes baseados em super-heróis. Henry observa que o ambiente é muito propício, por haver uma necessidade das pessoas em encontrar virtuosos. “O que eles acabam refletindo é a vontade de ser um pai, um marido e um filho melhores”, analisa o colecionador, para quem o filão ainda terá muito fôlego no cinema, especialmente porque a inspiração não se resume aos filmes da Marvel. Personagens como Batman e Superman pertencem à concorrente DC Comics, que tem na Warner Brothers sua parceira no cinema. São os preferidos de Dalton Reis, também colecionador de quadrinhos. “Eles têm uma construção psicológica melhor, especialmente os vilões, que são tão icônicos quanto os heróis. Já a Marvel se perde um pouco, criando um salseiro, como no caso dos X-Men, com várias formações diferentes”, compara.
 
Dalton revela que a ansiedade era grande para ver o novo “Vingadores”, que reúne os principais heróis da Marvel (Capitão América, Homem de Ferro, Hulk e Thor). Estava entre os primeiros da fila na pré-estreia, mas confessa que o filme não está entre os melhores do gênero. “Achei divertido, mas, ao se tentar ligar tudo (referências aos filmes solos dos personagens), surgem vários buracos na trama. Coisa de fã chato”, diverte-se.
 
Da sala de Justiça dos HQ’s para o topo das bilheterias
 
A cada novo lançamento, os analistas de mercado tentam imaginar até quando os filmes baseados em quadrinhos permanecerão no topo das bilheterias. “Estamos vivendo o ápice desse gênero, mas a tendência é que se esgote daqui a alguns anos”, registra Alexandre Callari, editor das revistas do Batman no Brasil, lançadas pela editora Panini, e um dos autores do livro “Quadrinhos no Cinema – O Guia Completo dos Super-heróis”.
 
O que ele define como ápice é medido pelo perfil de público, que vai além dos geeks e adolescentes. “O fenômeno se dá quando pessoas que nunca leram uma revista de super-heróis vão ao cinema para assistir um filme de um personagem que nunca ouviram falar na vida”, observa Callari, citando o caso de “O Guardião das Galáxias”, lançado no ano passado com grande sucesso. “Os personagens são completamente obscuros, mas multidões foram aos cinemas”.
 
Blade, o pioneiro
 
Apesar de sucessos isolados de “Superman”, no final da década de 70, e “Batman”, nos anos 80, ele salienta que o boom dos filmes de heróis teve início com “Blade, o Caçador de Vampiros” (1998), que abriu caminhos para o sucesso das franquias de “X-Men” e “Homem-Aranha”. Nesse momento, lembra Callari, a Marvel entra como produtora principal dos filmes, passando a cuidar de cada detalhe dos filmes.
 
“A Marvel desenvolveu um processo só dela, contratando pessoas para coordenar todos os filmes, para que tivessem uma cara parecida e um tom semelhante. O que é bom para a franquia, sob certo aspecto, mas os filmes acabam ficando muito parecidos uns com os outros”, pondera André Morelli, editor da revista “Mundo dos Super-heróis” e que escreveu o livro “Super-heróis no cinema e nos longas-metragens de TV”.
 
Vem aí o Homem-formiga
 
Caminho diferente seguiu a rival DC Comics, que permite que os realizadores tenham maior liberdade criativa. “Isso é muito positivo, porque os filmes se tornam obras fechadas. Até mesmo o trabalho de divulgação é diferente. Enquanto a Marvel faz um hype de informação, a DC adota o mistério, o que acaba gerando muito mais barulho. A imagem do uniforme do Batman é capaz de parar a internet por um dia”, avalia André.
 
Com “Vingadores 2”, a Marvel se tornou a maior franquia do cinema de todos os tempos, superando os filmes da série “Harry Potter”. Para André, a editora ocupa uma posição invejável, já que possui um número enorme de personagens – o próximo filme a chegar nos cinemas será “Homem-Formiga”, em 16 de julho. “Ela é a franquia das franquias. E mesmo quando o gênero chegar à saturação, a Marvel tem outros nichos para trabalhar”.
 
“Alfabetizado” com as revistinhas em quadrinhos, lendo desde os seis anos de idade, com o estímulo da mãe, Henry Bernardo confessa que nunca foi tão bom ser fã de HQ como agora
 
As filmagens de “Capitão América 3: Guerra Civil” começaram no Pinewood Studios em Atlanta (EUA), nesta semana

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