terça-feira, 24 de março de 2015

VERSÃO DE 50 TONS DE CINZA BRASILEIRO VIMOS PRIMEIRO ANTES DE SER LANÇADO O FILME.

O filme “Cinquenta Tons de Cinza”, baseado no livro que é a versão gourmet daqueles romances de banca cafonas e soft-porn. Além de mostrar uma relação amorosa entre dois adultos que aparentemente têm menos maturidade que o casal de “Crepúsculo”, o livro e o filme mostram relações de puro fetiche envolvendo cordas, pentadas violentas e até mesmo uma tortura chinesa que envolve colocar a vítima para assistir a uma maratona de capítulos de “Em Família”.
Aproveitando a experiência do Coisas de Novela em pegar assuntos relevantes do mundo real e comentá-los usando alguma desculpa presente em algum folhetim da telinha, lembramos que já tivemos o nosso próprio “Cinquenta Tons de Cinza” dentro da nossa teledramaturgia. E olha que nem estou considerando o sexo sujo do Gerson de “Passione”! Você pode até não lembrar, mas a novela “Amor à Vida” ousou ao abordar o tema dos adeptos do BDSM e do sadomasoquismo em sua trama, mas nem preciso falar que foi uma grande porcaria, né?
Antes de entender o que levou Walcyr Carrasco a inserir o tema na novela das nove (considerando que ela já estava transbordando de temas desenvolvidos precariamente), precisamos lembrar da enfermeira Marilda Fernandes (Renata Castro Barbosa), e como sabemos que você não lembra dela de nome, vamos dar uma mãozinha:
Reprodução: Globo
Durante meses de novela (não estou exagerando), Marilda sempre aparecia no trabalho com marcas no corpo e no rosto, e sempre algum enfermeiro figurante comentava “Nossa, ela parece que apanhou”. Em outra dezena de vezes, ela era abordada por alguma enfermeira mais relevante para a trama de “Amor à Vida” que lhe perguntava se ela era vítima de agressão doméstica, mas Marilda sempre negava. E não é que ela não estava mentindo? A razão das marcas é porque ela namorava o enfermeiro Ivan (Adriano Toloza), adepto do sadomasoquismo!
O personagem fetichista já começou sendo apresentado de uma forma genérica (do que estou reclamando? É “Amor à Vida”!) quando a enfermeira Perséfone (Fabiana Karla) estava louca para por a tcheca pra sambar pela primeira vez e se encantou pelo enfermeiro figurante que surgiu para trabalhar todo vestido de couro e pilotando uma moto, afinal, todo mundo sabe o mundo fetichista é composto exclusivamente por motoqueiros e amantes de couro.
Ao convidar o homem parar ir em seu apartamento, fomos contemplados com cenas constrangedoras que envolviam um vestuário meio cafona:
Reprodução: Globo
Um beijo meio nojento:
Reprodução: Globo
E até mesmo o alívio cômico da novela sendo algemada à cama contra sua vontade e levando chicotadas não consensuais do rapaz:
Reprodução: Globo
Depois disso, o personagem sumiu. Durante meses, voltando à questão da Marilda, achamos que o Tio Walcyr ia tratar de um espancamento de mulheres e da Lei Maria da Penha, mas em uma cena descobrimos que enfermeira usava por debaixo do cachecol uma COLEIRA e aí percebemos que ela era namorada de Ivan, que andava sumido há meses depois do dia com a Perséfone. Mas, ao perceber que podia levar duas campanhas sociais pelo preço de uma só, Walcyr fez com que o enfermeiro perdesse completamente a linha e começasse a espancar a mulher no ambiente de trabalho:
Montagem: Redação POP
No final, em uma cena de 3 minutos, Marilda é apoiada por todos os enfermeiros figurantes (menos a japa sem falas, que nessa altura da trama já havia largado o hospital para investir na sólida carreira de dançarina de funk) e Ivan é preso sem que sua trama pudesse mostrar o que se trata o sadomasoquismo e como isso não está ligado à agressões a indefesos.
Bem, se quiser ver esse tema abordado de uma forma menos tosca, temos aí o “Cinquenta Tons de Cinza” no cinema mais perto de sua casa (e no mais longe também, porque o filme tá em todo lugar).

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