quinta-feira, 19 de março de 2015

QUADRINHISTA AFRIMA:DESENHAR NÃO É NADA PRAZEROSO

A contracapa do gibi "K.O. à Tel Aviv 2", do israelense Asaf Hanuka, 41, mostra o autor com a cabeça emaranhada. Ele rabisca o papel e, ufa, seu rosto se organiza. É a metáfora para a visão do que é seu trabalho como quadrinista e como sua arte transforma seus pensamentos.
Hanuka é hoje um dos principais autores israelenses no ramo --um dos poucos, aliás. O país "não tem uma cultura de HQs", disse ele à reportagem durante o festival de gibis de Angoulême, na França, realizado no fim de janeiro deste ano.
Essa é uma característica cultural, segundo Hanuka, já que a tradição judaica foi historicamente transmitida por textos, e não imagens.
"K.O. à Tel Aviv 2" concorreu ao prêmio do festival de Angoulême. O livro reúne histórias autobiográficas de Hanuka, com um traço simples e realista que, sugere, poderia dar indícios do que é um "estilo israelense" de HQs. "É feito rápido e vai direto à essência. Não há nada prazeroso. É questão de sobrevivência. Em Israel, tentamos chegar vivos até o fim do dia", diz.
Ele conta que começou sua carreira enquanto, durante seu serviço militar, foi enviado ao jornal do Exército. "Comecei a desenhar soldados querendo se suicidar", afirma. "Quando viram, quiseram me prender. Fui levado a julgamento militar e tive de me desculpar."
QUADRINHOS DEMAIS
A "bande dessinée" (como se conhece o gibi franco-belga) é um trabalho "de arte", feito por artistas respeitados e lido por adultos.
O francês François Boucq, um dos grandes nomes desse mercado, ganhou, em 1998, o grande prêmio do festival de Angoulême. "Mas há quadrinhos demais hoje. Eles nem cabem nas livrarias", afirma.
Quando Boucq começou sua carreira, na década de 1970, o mercado franco-belga de gibis --que deu a leitores clássicos como "Tintim" e "Asterix"-- lançava algumas centenas de títulos ao ano. Hoje, são 5.000 novos quadrinhos anualmente.

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