quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

MINI SERIE QUE TODOS QUERIAS VER MAIS FOI O PROIBIDA - o MARAJA "SAIBA TUDO

Montagem / Redação POP
Muita gente lembra apenas de “Roque Santeiro” quando se falam de produções proibidas no dia da estreia, mas se esquecem de “O Marajá” da Manchete. A minissérie era uma paródia bem escancarada da vida do ex-presidente Collor, e foi proibida de ir ao ar a mando do próprio político. Conheça a história por trás dessa minissérie.

A trajetória meteórica do presidente Collor inspirou José Louzeiro a criar uma minissérie (chamada por alguns de novela) que brincasse com tudo isso. Com o auxílio de um departamento jurídico pronto para evitar qualquer coincidência escancarada, o autor e sua equipe começou a escrever “O Marajá”. O título já era uma clara alusão ao ex-presidente, conhecido por “o caçador de marajás” graças a alguns feitos políticos expostos pela mídia.
O protagonista de “O Marajá” era Elle (Hélcio Magalhães), presidente recém-eleito pela população de um país fictício muito semelhante ao Brasil. As coincidências com nosso país continuam, porque as economias foram bloqueadas. A repórter Mariana (Júlia Lemertz) ouve uma conversa no banheiro sobre um plano que o presidente tinha de dar um golpe para ficar 30 anos na presidência (referência também ao plano do Collor de governar o Brasil até 2000).

A minissérie foi produzida e anúncios discretos eram divulgados pela Rede Manchete, como um com o Palácio do Planalto e um narrador anunciando a estreia de “O Marajá”. Porém, uma das chamadas da novela chamou a atenção do já ex-presidente Collor, que ficou bem ofendido com o conteúdo grosseiro da propaganda. Na cena exibida, uma enfermeira levava supositórios de cocaína em uma bandeja para o presidente Elle.
A proibição causou um rebuliço na Manchete, tanto que o dono da emissora quis guardar as fitas com os capítulos em sua própria casa, com medo de acontecer algo com a minissérie. Infelizmente, hoje em dia, ninguém faz a menor ideia de onde estão essas fitas, e nem se elas ainda existem. “O Marajá” prometia ser bem inovadora: alternava entre cenas de dramaturgia e momentos que simulavam reportagens. A trama trazia dois narradores, um homem mais estudado e uma mulher fofoqueira, prontos para contar a história para o público da maneira mais fácil de se entender.
Restou muito pouco de “O Marajá” na internet, apenas algumas fotos e um vídeo com as primeiras cenas da minissérie, além da abertura muito bem feita.. Mal dá para vermos como ficou o trabalho de Hélcio Magalhães (praticamente um sósia de Collor) como presidente. Mês que vem essa proibição completa 20 anos já, e podemos lamentar que mesmo em nossa história recente somos vítimas de censura e proibições.

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