sexta-feira, 8 de junho de 2012

JORGE AMADO NOS QUADRINHOS

Jubiabá de Jorge Amado - adaptação e desenhos Spacca

Por Caio Ferraro

A segunda etapa da temática do negro no Brasil. Utilizei a adaptação quadrinística de Jubiabá - Jorge Amado, que no processo de criação do conhecimento me levou a palestras sobre "Umbanda" e "Narratividade - Literatura e Quadrinhos", atrás das respostas que não pude dar às indagações dos meus companheiros, no caso meus alunos. A obra de Spacca nos remete à Bahia que Jorge Amado representou e cantou com tanta emoção em suas obras, ou como o próprio Spacca admitiu, "a baianidade que Jorge Amado criou e até os baianos tentam imitar." A idéia era apresentar as relações entre o negro e suas origens africanas para realizar a transição para o continente mãe.

Tentando não repetir o formato das aulas trabalhei com 4 partes da HQ., entregando para cada dupla 2 folhas. A primeira escolhida única e exclusivamente por representar a capoeira. Totalmente suspeito pra falar, capoeirista iniciante sempre utilizo a capoeira para exaltar as diversas vertentes históricas sobre seu surgimento e todos os folguedos relacionados à capoeira, como o Jongo e o Maculelê.



 

  A primeira escolhida única e exclusivamente por representar a capoeira. Totalmente suspeito pra falar, capoeirista iniciante sempre utilizo a capoeira para exaltar as diversas vertentes históricas sobre seu surgimento e todos os folguedos relacionados à capoeira, como o Jongo e o Maculelê.  


Com essa página eu retomei os questionamentos da aula anterior, sobre os heróis negros e que espaço eles ocupam em nossa história. A partir de Zumbi e o estereótipo do africano guerreiro, discutimos novamente sobre João Cândido e nos concentramos na idéia do negro enquanto escravo, aproveitei o gancho para chamar atenção como a ideologia racial não se altera de imediato com uma lei, que é assinada em instantes, um movimento inversamente proporcional à velocidade de mudança de uma idéia social. Chegamos à conclusão que o preconceito que os negros vivenciam ainda hoje é reflexo dessa estrutura de mudança.  

 

As duas últimas páginas retratam uma cerimônia de Umbanda e foi com elas que descobri uma mina de ouro para discussões: a religião. Descobrimos juntos algo que eu nunca havia questionado, afinal de onde vem o preconceito com a Umbanda e o Candomblé? Já que poucas pessoas realmente vivenciaram cerimônias dessas religiões de onde vem essa idéia pejorativa associada à palavra macumba? A questão do negro crescia em nosso debate e as dúvidas que eu não sabia responder também. Mas pretendia saber.

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