domingo, 12 de novembro de 2017

ATE BREVE


NOVELIDA EM ELECO DE ROSA CHOQUE DA TV RECORD


A Record TV não está medindo esforços para fechar o elenco de Rosa Choque, título provisório da novela que sucederá Belaventura, na faixa das sete e meia.
A emissora acaba de acertar as contratações de José Rubens Chacá, Bruno Peixoto e Zeca Carvalho.
Além dos três, a produção, que está sendo escrita por Cristianne Fridman, tem confirmadas as presenças de Guilherme Winter, Camila Rodrigues, Beth Goulart, Graziella Schmitt, Raphael Montagner, Aninha Lima, Zeca Carvalho, Lara Lazzaretti, Rhaissa Batista, Rafael Gevú, Gustavo Rodrigues, Cacá Ottoni, Giselle Batista, Leticia Peroni, Brenno Leone, Ricky Tavares, Polliana Aleixo, Maitê Padilha, Theo Becker, Suzana Alves, Claudia Mello, Michelle Martins, Drico Alves, Théo Becker e Daniel Zettel.
A novela tem estreia prevista para março


sábado, 11 de novembro de 2017

NOVELA DO SBT TEM CLASSIFICAÇÃO E PORQUE DA GLOBO NÃO ?

(Foto: Divulgaçã
o/Televisa)
No ar desde o dia 28 de agosto, Um Caminho Para o Destino foi reclassificada pelo Ministério da Justiça. A novela, exibida pelo SBT às 18h, passou de livre para não recomendada para menores de 10 anos.
Conforme destaca Patrícia Kogut (O Globo), uma das razões expostas pelo MJ para a reclassificação é, no mínimo, curiosa: "supervalorização da beleza física". "Bullying, preconceito, ato violento, agressão verbal e morte intencional” são as outras justificativas.AS NOVELAS DA GLOBO NÃO TEM ISTO ? E A DO SBT NÃO PODE TER PORQUE ?

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

SÉRIE CIDADE PROIBIDA DA GLOBO EM HQ

O ex-policial Zózimo Barbosa achou que, ao trocar o ofício de caçar bandidos pela profissão de detetive, teria uma vida menos arriscada e mais tranquila. Enganou-se. Principalmente depois de escolher a opção de atender maridos ou esposas traídas. Virou especialista em cornos.
A história parece familiar? Sim, para quem assiste à série Cidade Proibida, que a Rede Globo exibe desde o final de setembro, às terças-feiras, depois da novela das 21 horas. Com 21 pontos de audiência na Grande São Paulo, em média, é um sucesso de público e de crítica.
O que a maioria dos telespectadores não sabe, porém, é que o seriado – que já teve a segunda temporada confirmada para 2018 – veio das histórias em quadrinhos, criadas pelo roteirista e desenhista brasileiro Wander Antunes.
E são esses quadrinhos, em episódios inéditos e alguns já publicados (pela Pixel, em 2007), que voltam às livrarias pela Editora Noir, no álbum Zózimo Barbosa – O Corno que sabia demais e outras histórias (formato 16 x 23 cm, 96 páginas, R$ 34,90).
Este álbum de Wander Antunes – roteirista brasileiro com oito álbuns publicados na Europa – é a oportunidade perfeita para o público conhecer a gênese do já cultuado Zózimo: um adorável e incorrigível mulherengo e detetive incansável. O título é ambientado no Rio de Janeiro dos anos de 1950, no mais puro estilo noir.
Além dos quadrinhos, a obra está repleta de materiais extras, como a apresentação dos personagens (por eles mesmos), a origem de Zózimo, o processo de criação passo a passo, esboços e estudos dos personagens e muito mais.
Zózimo Barbosa – O Corno que sabia demais e outras histórias tem roteiro de Wander Antunes (Memórias de chuteiras, Nosferateen, A boa sorte de Solano Dominguez, Crônicas da província, Toute la poussière du chemin, Big Bill est mort, L’oeil du diable, Vieille Amérique, Un paradis distant) e arte do ilustrador, quadrinhista e animador Gustavo Machado (Sítio do Pica-pau Amarelo, Zé Carioca, Os Trapalhões, Sergio Mallandro, Gugu, Corcunda de Notre Dame, Hércules, Mulan, Tarzan e o recém-concluído Isso não é um assassino, quadrinho que homenageia os 50 anos de morte do pintor René Magritte).

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

A VOLTA DOS TRABALHOS NAS BANCAS


Clássico das décadas passadas, a turma de Didi, Dedé, Mussum e Zacarias está de volta. Graças ao cartunista Rafael Spaca, As HQs dos Trapalhões irá compilar histórias icônicas publicadas nos anos 80 e 90 e remontar o sucesso que foi a série na TV brasileira.

“As histórias em quadrinhos são um desdobramento do acervo sobre o cinema. Eu percebi que havia muitas coisas disponíveis sobre as HQ’s” – Diz o pesquisador.
Além das histórias em quadrinhos, o livro conta com depoimentos de 27 profissionais que fizeram parte da produção das revistas na época.


No cinema, Os Trapalhões foi sucesso de bilheteria no ano em que foi lançado.
Em tempo, o livro conta com 192 páginas, é editado pelaEstronho

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

LOKI O GRANDE VILÃO DA MARVEL O QUE VOCÊ PRECISA SABER

 Nos quadrinhos, a figura mais essencial para uma boa história de super-heróis – além, é óbvio, do próprio super-herói – é um bom vilão. Não é à toa que Marvel e DC Comics, além de outras editoras menores, lançaram personagens tão icônicos e memoráveis que não representam ideais tão heroicos assim. Coringa, Doutor Destino, Magneto, Lex Luthor, Duende Verde… todos esses vilões são personagens extremamente complexos, com uma construção tão cheia de camadas e nuances.
Quando os painéis de HQs são transformados em frames de filmes, a situação muda um pouco. A duração de pouco mais de duas horas, comum na maior parte dos filmes de super-heróis, normalmente é dedicada à construção do herói. O vilão acaba se tornando um segundo plano distante, e dessa forma, é raro termos bons antagonistas realmente memoráveis em adaptações de quadrinhos – embora algumas se destaquem, como o Coringa de O Cavaleiro das Trevas ou as duas versões cronológicas do Magneto no Universo dos X-Men.
Para o Universo Cinematográfico da Marvel, há uma ideia recorrente entre os críticos e o público, de que os vilões não são grandes perigos ou ameaças, e mesmo quando são, acabam sendo mal desenvolvidos. Embora alguns já tenham conseguido fugir à essa regra, como Abutre, Zemo, Ego Soldado Invernal, nenhum outro vilão da Marvel nos cinemas é tão complexo quanto Loki, o eterno rival do Deus do Trovão.
Apresentado pela primeira vez em Thor, de 2011, o Loki de Tom Hiddleston logo se tornou um dos vilões mais populares de filmes de super-heróis no cinema. Claro que o carisma do ator britânico era um dos pontos fortes nessa equação, mas além de tudo isso, o que torna o vilão tão interessante em sua jornada – que, com Thor: Ragnarok já contempla quatro filmes, sem contar as participações indiretas, como Vingadores: Era de Ultron e até mesmo Agentes da S.H.I.E.L.D. – é a construção de seu personagem frente aos deuses de Asgard, aos titãs espaciais e aos Heróis Mais Poderosos da Terra.
Nos quadrinhos, bem como na mitologia nórdica, Loki é chamado de Deus da Trapaça, ou Deus da Mentira. É um título digno para o personagem, que vive um ciclo vicioso de artimanhas e fraudes para tomar o reino de Asgard para si, ou em alguns casos, até mesmo destroçá-lo. Isso o tornou o vilão direto do Thor, uma vez que o drama familiar era de grande interesse de Stan Lee Jack Kirby, até mesmo para dar uma dimensão humana a dois personagens de cunho divino.
Mas a inclusão de Loki não se restringiu ao núcleo nórdico do Universo Marvel. O vilão logo se tornou uma ameaça global, e foi responsável pela formação dos Vingadores. Em outras histórias, ele enfrentaria outros heróis, se aliaria a vilões ainda mais perigosos, mas sempre manteria um esquema de trapaças e mentiras.
Com o passar dos anos, Loki se provou um personagem extremamente difícil de se trabalhar. Por ser um deus, e por representar a maior figura de antagonismo frente ao seu irmão, o vilão acabou caindo em um ciclo vicioso. Todas as histórias pareciam usar Loki da mesma forma, e ele começou a se tornar um vilão deveras desinteressante. Não havia evolução em seu personagem. Não é a toa que na década de 90, o personagem deu uma grande desaparecida dos quadrinhos, vindo a retornar em peso apenas na virada do milênio.
E foi aí que os roteiristas começaram a entender a dinâmica do personagem.
Após o derradeiro Ragnarok vivido por Asgard, simultaneamente à queda dos Vingadores, os personagens asgardianos deram uma sumida de alguns anos no Universo Marvel, até se retorno após a Guerra Civil. Quando Loki renasceu, a Casa das Ideias passou a explorar um de seus pontos mais fortes na mitologia: sua intensa mutabilidade e transformação constante. Cada Loki é um Loki diferente, e não é à toa que, em suas mortes, ele sempre retorna de uma forma distinta. Seja como a Dama da Trapaça ou como um jovem puro e inocente.
A grande realização, no entanto, só veio durante a fase do Agente de Asgard, quando o Deus da Trapaça, aliado aos Jovens Vingadores, usou os poderes de Wiccano para se tornar mais velho. A partir desse momento, o vilão havia percebido que não conseguiria mais fugir de suas obrigações mitológicas. Loki existe para ser um instrumento de destruição e renascimento para Asgard. É justamente sua presença que traz de volta o Ragnarok, e ele sempre será responsável por causar catástrofes, independente do quanto tente evitar sua sina:
“Não posso evitar ser o Loki. Mesmo se eu me matasse, eu apenas ressuscitaria ou seria trazido de volta. E as chances são que, caso aconteça, eu serei ainda pior. Eu terei que interpretar esse papel pelo maior tempo que puder. Eu sou uma história. Apenas preciso ser a melhor história possível.”
Mas isso é assunto das HQs. No cinema, o vilão tem uma trama relativamente diferente, embora todos os caminhos desse rio despejem no mesmo mar. Quando foi apresentado pela primeira vez, Loki era um personagem deveras imaturo. Sua maldade não tinha outra fonte a não ser a inveja desmedida por Thor. Isso fez com que ele tecesse uma rede de maquinações e manipulações para que seu irmão fosse expulso de Asgard, e exilado na Terra. Enquanto isso, ele descobriu sua origem como prole dos Gigantes de Gelo. Excluído entre os aesires, ele ainda assim desejava honrar Odin e se provar um sucessor leal, tentando destruir seu pai verdadeiro, Laufey, e ascendendo ao trono asgardiano.
Porém, seu irmão frustrou seus planos, e ele então se jogou em direção ao – literal – fim do mundo, onde foi finalmente resgatado por Thanos. Os detalhes dessa união ainda não foram revelados, mas sabemos que o Deus da Trapaça se tornou um capataz para o Titã Louco, encabeçando a invasão dos Chitauri na Terra, em busca do Tesseract, o cubo cósmico que, por sua vez, continha a poderosa Joia do Espaço, indispensável para os planos do vilão sideral.
Em Os Vingadores, Loki não passa de uma facilitação narrativa, em termos técnicos. Ele não é uma ameaça tão perigosa, apesar de controlar o Gavião Arqueiro, “matar” Coulson e colocar os heróis contra eles próprios. Contudo, o saldo de sua passagem pela Terra foi mais positivo que negativo. Ele foi o responsável – assim como nos quadrinhos – pela formação dos Vingadores, fazendo com que os maiores campeões da Terra se unissem para vingá-la sempre que necessário.
E então entramos no filme que mais trabalha a jornada do personagem, Thor: O Mundo Sombrio.
Embora (particularmente) o considere o filme mais fraco e dispensável de todo o Universo Cinematográfico da Marvel, a segunda aventura solo do Deus do Trovão tem um ponto positivo estrondoso na participação do vilão. O longa poderia facilmente ser renomeado como Loki: O Mundo Sombrio, e isso cairia como uma luva. Aqui tem início o ponto de virada do personagem, de modo que ele deixa de se tornar apenas um vilão, para se tornar o Deus das Histórias, tal qual nos quadrinhos.
Na trama, vemos ele sendo preso após os eventos de Os Vingadores. Sua natureza maligna faz com que ele, mais uma vez, traia Asgard e acabe perdendo a única pessoa que o amava incondicionalmente: sua mãe adotiva, Frigga. Motivado por vingança, ele se alia a Thor e parte para o confronto contra Malekith Kurse, e acaba sendo “morto” na batalha.
Como não podia deixar de ser, tudo não passava de uma ilusão própria. Ao fim do filme, ele não apenas retorna para Asgard, como também depõe seu pai adotivo e assume seu lugar. Como Odin, ele passa mais de dois anos no trono, conduzindo os Nove Reinos a uma grande decadência, cujos efeitos foram sentidos em Vingadores: Era de Ultron e até mesmo em Agentes da S.H.I.E.L.D., nos episódios em que Lady Sif vem à Terra.
Por fim, chegamos ao mais recente capítulo de sua jornada, em Thor: Ragnarok. Aqui, ele finalmente reencontra seu irmão após longos anos. E a principal diferença da dinâmica dos dois é que, apesar de não ser a pessoa mais brilhante do mundo, o Deus do Trovão já sabe que Loki é refém de sua própria natureza e sempre irá traí-lo. Em determinado ponto da trama, ele chega a comentar: “Você sempre será o Deus da Trapaça, mas podia ser muito mais.” A principal diferença é que, dessa vez, nem mesmo Thor se importa com as mentiras de seu irmão.
Loki então tem uma grande jornada de redenção, por assim dizer.
Ele acaba se unindo ao seu irmão no ato final. Percebendo que, parte da culpa pela invasão de Hela é sua, ele aparece como um salvador nem um pouco altruísta para Asgard, ajudando seu povo a fazer seu êxodo final. E, para cumprir seu papel para a mitologia, ele se torna a peça-chave que faz com que Surtur destrua o Reino Dourado, finalmente provocando o Ragnarok. Mais uma vez, ele aceita sua jornada como o causador principal do Crepúsculo dos Deuses, e ao fazer isso, quebra seu estigma de vilão, transcendendo e tornando-se o Deus das Histórias.
Óbvio, isso não quer dizer que ele acabou de se tornar um herói bonzinho e altruísta. Já sabemos, de detalhes vazados de Vingadores: Guerra Infinita, que ele será responsável por entregar o Tesseract Thanos, e isso não é surpresa alguma. Mais uma vez, o Filho de Laufey cumpre seu papel como uma criatura que anda em círculos. Por mais que ele se arrependa e se redima de seus atos, ele sempre terá uma nova trapaça engatilhada nas mangas, pronta para ser usada ao seu favor.
E de todas as formas, isso é o que o torna um personagem tão fascinante.
É sua natureza cíclica, mas completamente assumida. Ele não é um personagem que cai em repetição e se torna desinteressante. Em vez disso, ele incorpora a natureza cíclica de seu ser, e sabe que sempre precisará ser a melhor versão de si mesmo – ainda que esse “melhor” não signifique “heroico” ou “bom”. Ao longo de todo o Universo Cinematográfico da Marvel, o vilão foi quem teve um dos maiores desenvolvimentos de personagem, passando de uma cria imatura dos Gigantes de Gelo ao – ainda que de forma irônica – salvador e destruidor de Asgard.
Evidentemente que ainda teremos mais importância para o personagem nos futuros filmes da franquia. Ele deve retornar em Guerra Infinita, e não sabemos ao certo se seu encontro com Thanos resultará em sua morte, ou se ele será apenas uma “Mão do Rei” – o que particularmente, seria muito inocente por parte do Titã Louco de aceitar. E mesmo que morra, ele ainda terá um legado infinito no Universo Marvel dos cinemas – isso se não retornar em suas outras versões icônicas, já estabelecidas nas HQs.
Loki é uma história. Ele só precisa ser a melhor história possível. 

terça-feira, 7 de novembro de 2017

MINE DOSSIÊ : DRACULA


O personagem interpretado pelo ator Béla Lugosi (Foto: Reprodução)
Em 2017, o mais célebre personagem da literatura de horror está completando 120 anos. Sim, faz mais de um século que o Conde Drácula saiu da mente do escritor irlandês Abraham “Bram” Stoker para aterrorizar, repelir, fascinar, seduzir e inspirar gerações— primeiro de leitores, depois de telespectadores, de jogadores de RPG, de gamers, e por aí vai. Entra ano, sai ano, o magnetismo exercido pelo maior vampiro de todos continua em dia, sem dar sinais de enfraquecimento. Até porque, diante da eternidade, o que são 120 anos?
Para nós, meros mortais, 120 anos é bastante tempo. Então, como explicar o sucesso que a criação de Bram Stoker faz desde finais do século 19 — mais especificamente, desde 1897? Em que pontos Drácula, o livro, acertou tanto para manter-se vivo no nosso imaginário por tamanho intervalo de tempo? Como amantes e pesquisadores da literatura de horror, apresentaremos alguns fatores que podem contribuir para essa mística.
O autor
Em 1897, Bram Stoker já era um escritor maduro e reconhecido. Estava prestes a completar 50 anos e estabelecera-se como um talentoso romancista de sua geração.
Natural de Dublin, Stoker começou a escrever no início da adolescência. Graduado em Matemática (!), jamais exerceu a profissão. Uma de suas paixões era o teatro. Foi crítico teatral do Dublin Evening Mail, de propriedade de um conterrâneo e colega autor seu, Joseph Sheridan Le Fanu — que tornou-se também uma influência fundamental.
Drácula foi o quinto livro publicado por Stoker. Na narrativa, o autor explora, com grande habilidade, um recurso retórico que começava a surgir na época: o romance epistolar. Ou seja, a história contada por meio de cartas — e de atualizações em diários, de notícias de jornais, de documentos náuticos etc. O formato fortalece uma característica indispensável para qualquer narrativa de teor sobrenatural: a verossimilhança.
Tanto que, na ocasião do lançamento, Drácula foi considerado tétrico e excessivamente violento. Em uma resenha do mesmo ano, o jornal britânico Manchester Guardian classificou o romance como “grotesco demais” e Stoker teria cometido “um erro artístico ao preencher todo um volume com horrores”.
Bram Stoker, a mente por trás do Conde Drácula (Foto: Reprodução)
Críticas à parte, a obra não foi, de modo algum, a primeira a colocar vampiros no centro de uma narrativa. Anos antes, em 1872, Sheridan Le Fanu (o chefe de Bram Stoker) havia publicado Carmilla, novela de horror que marcou época. A história gira em torno da personagem-título — a primeira vampiresa de que se tem notícia — e de seu relacionamento afetivo/assombrado com a narradora, Laura.
Mas há registros de relatos anteriores, também. Um deles remete a uma noite já bem conhecida pelos fãs de histórias de horror: aquela tempestuosa de 1816, em que, numa certa mansão à beira do lago Léman, na Suíça, a também britânica Mary Shelley esboçou o rascunho de Frankenstein: ou o Prometeu moderno. 
Nessa noite, Lord Byron, o anfitrião, propôs uma atividade para afastar o tédio entre os presentes: cada um produziria uma história assombrada. Além de Byron e da autora, participaram o amante dela, o poeta Percy Shelley, e o médico londrino John Polidori.
Este último, inspirado por um relato do próprio Byron, escreveu a novela The Vampyre. Hoje, o texto é considerado pelos críticos como o primeiro a conseguir fundir elementos díspares de vampirismo em um “gênero literário coerente”.
E há obras ainda mais antigas. Na Europa continental, Johann Wolfgang Von Goethe — uma das maiores figuras do romantismo alemão — publicara, em 1797, Die Braut von Korinth (A Noiva de Corinto), poema de temática profundamente vampiresca.  
Não há dúvidas de que Bram Stoker tenha (com o perdão da metáfora) bebido de todas essas histórias. Sobretudo da de Le Fanu, cujos ecos são facilmente identificáveis na obra de 1897. Mas há um ponto fundamental em que Drácula se distingue: o formato epistolar e a fundamentação histórica. 
Conde Drácula, por Béla Lugosi (Foto: Reprodução)
Construindo Drácula
De acordo com especulações (não há confirmação do fato), o autor serviu-se de uma figura real para compor seu protagonista: Vlad Tepes (Vlad, o Impalador, em romeno), sanguinário príncipe da Valáquia, hoje Romênia, que tinha o hábito de trespassar os prisioneiros de guerra com imensas lanças.
Para além disso, escrever boa parte da história por meio de cartas e de telegramas trocadas entre personagens, bem como de atualizações de diários e de memorandos, foi uma das grandes ideias de Bram Stoker. Porque o recurso não só acrescenta verossimilhança ao que é narrado, mas também deixa os leitores em suspenso quanto à certeza sobre o que realmente ocorreu.
Há, ainda, notícias de jornais, registros náuticos e outros documentos que são inseridos ao longo do texto. É fato que o procedimento interfere na nossa fruição da história — pois, sem um narrador onisciente, temos que montar, nós mesmos, uma espécie de quebra-cabeça, o que pode atenuar o suspense ou enfraquecer certas passagens. Neste sentido, vale lembrar que o personagem-título não é, curiosamente, o protagonista; seu ponto de vista não é apresentado. Por outro lado, isso acaba envolvendo o Conde em brumas de mistério ainda mais espessas.
Aliás, o próprio formato epistolar acentua as brumas de enigma que pairam sobre a narrativa, fustigando a nossa imaginação em vários sentidos. Tanto que o formato segue fazendo escola até hoje: George R. R. Martin e suas Crônicas de Gelo e Fogo são provas disso.
Por falar em atmosfera...
Eis outro grande triunfo de Bram Stoker. É consenso, entre leitores e críticos, que a ambiência carregada de Drácula funciona, e muito bem. O cuidado do autor na criação de cenários sinistros e o tom pesaroso com que ele relata a história acentuam o efeito do horror, provocando nos leitores uma tensão que permanece vibrante até hoje.
Para tanto, Stoker serviu-se fartamente da tradição gótica na literatura. Vemos essa influência já no início do romance: quando Jonathan Harker, advogado de uma firma imobiliária, viaja até a propriedade do Conde Drácula na Transilvânia, a descrição é profundamente gótica.
O ambiente noturno, os povoados desolados pelos quais o jovem passa, a aura de sobrenatural que paira por todos os lados e, claro, o assustador castelo do Conde não deixam dúvidas quanto a isso. E são vários os outros indícios do gótico encontrados no texto.

Enfim, estes são apenas alguns pontos que, a nosso ver, fazem de Drácula uma obra poderosa, quem sabe imortal. Recontada até hoje das mais diversas formas e nos mais diversos formatos, a história não dá sinais de perder seu apelo. E seu alcance só faz aumentar graças às adaptações cinematográficas, aos games, aos jogos de RPG e às influências na música, a legião de fãs continua crescendo em todo o mundo.
Aqui no Brasil, este culto também rende “criaturas” interessantes. Uma das mais recentes é Vampiro - Um Livro Colaborativo (Editora Empíreo), lançado em outubro de 2017 em São Paulo. A iniciativa marca os 120 anos de Drácula, reunindo 49 contos livremente inspirados pela mística da obra de Bram Stoker — e somente de autores nacionais.
Há vampiros bíblicos, vampiros em submarinos, vampiros medievais, vampiros do zodíaco, vampiros indígenas e até vampiros nas capitanias hereditárias. Uma profusão tal que certamente levaria o Conde a se acomodar melhor no caixão, forçando-o a abrir um raro sorriso de satisfação.